Enquanto a indústria de tecnologia luta contra o consumo massivo de energia dos centros de dados, um grupo de pesquisadores da União Europeia decidiu buscar a solução em um dos navegadores mais eficientes da natureza: a abelha. O projeto InsectNeuroNano quer criar chips de GPS ultraleves e de baixíssimo consumo que imitam a capacidade cerebral desses insetos para navegar em espaços 3D complexos.
O desafio é impressionante quando olhamos para os números. Uma abelha processa o equivalente a 10 trilhões de operações por segundo (TOPS) para se localizar, desviar de obstáculos e encontrar comida, tudo isso consumindo apenas cerca de 10 microwatts. Para comparação, um processador moderno de PC precisaria de 1 milhão de vezes mais energia para realizar uma carga de trabalho semelhante.
A eficiência imbatível da "Inteligência Natural"
As abelhas possuem um "GPS de bordo" que analisa padrões de luz no céu e os cruza com a própria velocidade para determinar sua posição exata. A equipe liderada por Anders Mikkelsen, da Universidade de Lund, quer replicar essa lógica usando circuitos nanofotônicos.
Diferente dos chips tradicionais, os circuitos nanofotônicos guiam a luz através de estruturas minúsculas (medidas em bilionésimos de metro), permitindo um processamento ultrarrápido com quase zero de calor.
Em vez de criar uma IA genérica, os cientistas estão desenvolvendo chips altamente especializados que fazem apenas uma coisa — navegação autônoma — de forma imbatível.
O objetivo é que esses processadores não sejam maiores que uma semente, permitindo sua instalação em dispositivos minúsculos.
Do sensor ambiental aos enxames de robôs
Se a tecnologia for bem-sucedida, as aplicações podem transformar setores inteiros. Imagine sensores ambientais que nunca precisam de troca de bateria ou pequenos robôs autônomos encarregados de:
- Limpar poluição em áreas de difícil acesso.
- Auxiliar na polinização de plantações específicas.
- Monitorar estruturas de construção de forma invisível.
Apesar do entusiasmo, ainda não veremos nuvens de insetos robóticos nos céus tão cedo. Segundo Mikkelsen, os protótipos atuais ainda estão a pelo menos dez anos de se tornarem produtos comerciais.
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