Novo estudo comprova: o YouTube virou um depósito de vídeos toscos de inteligência artificial

Pesquisa detecta mudança clara nos vídeos que entram em tendência no YouTube

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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Algo mudou de forma perceptível na experiência do YouTube. Uma análise recente aponta para uma mudança notável no tipo de vídeos que passam a ganhar espaço no feed, com uma presença elevada de conteúdos gerados com inteligência artificial. Não estamos falando de uma moda passageira nem de criatividade experimental, mas de um padrão que responde a como hoje se recompensa a atenção.

A plataforma Kapwing analisou os 100 canais do YouTube considerados “em tendência” em cada país por meio do Playboard e isolou aqueles que identificou como AI slop. A partir daí, reuniu dados públicos de visualizações, assinantes e receitas estimadas com o Social Blade e os agregou por países. Além disso, a equipe criou uma conta nova no YouTube e analisou os primeiros 500 Shorts do feed para observar o que um usuário sem histórico prévio encontra.

Os dados mostram uma prevalência de “AI slop”, termo usado para descrever vídeos gerados de forma automática, com padrões de qualidade muito baixos e pensados para serem produzidos em massa, priorizando quantidade em vez de conteúdo. 

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A análise comparativa mostra que não existe um único padrão global. Há países que se destacam pela quantidade de canais identificados, outros pelo número total de visualizações e outros pela fidelidade de suas audiências. A Coreia do Sul, por exemplo, concentra um volume de reproduções muito superior ao dos demais, enquanto os EUA ficam entre os primeiros em volume agregado de seguidores. Essa diversidade reforça uma ideia central do relatório: o impacto desse tipo de conteúdo depende tanto do ecossistema local quanto de como os algoritmos respondem em cada mercado.

Padrões que se repetem 

Ao analisar esse conteúdo, surgem fórmulas muito reconhecíveis: animais com traços humanos e estética de desenho animado, com acabamento quase fotográfico, colocados em minicenários de “conto” facilmente assimiláveis.

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Os vídeos costumam ter filhotes que protagonizam situações emotivas ou exageradas, animais que “salvam” pessoas em acidentes impossíveis e até cenas cotidianas transformadas em fábula, como um gato fazendo compras em um mercado. O The Guardian destaca que muitas dessas peças abrem mão de uma narrativa clara e funcionam pelo impacto imediato, pela repetição e pela familiaridade — três ingredientes que se encaixam bem na lógica do feed.

Segundo o The Guardian, muitos criadores se aproximam desse tipo de conteúdo não por afinidade criativa, mas por pura rentabilidade. As ferramentas automáticas reduzem custos e permitem testar ideias quase sem limite, enquanto os programas de monetização prometem rendimentos difíceis de igualar em outros trabalhos locais. O resultado é uma lógica de experimentação constante, em que se replica o que funciona e se descarta o que não funciona, em um ambiente no qual o algoritmo decide mais do que o autor.

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Além de quem produz esses vídeos, o impacto é percebido com clareza do outro lado da tela. A Kapwing criou uma conta nova e contabilizou os primeiros 500 Shorts do feed: 104 eram conteúdos gerados por IA (21%) e 165 se encaixavam em “brainrot” (33%). O The Guardian resume esse achado como “mais de 20%” de AI slop na experiência de um usuário novo. O dado não permite descrever todo o YouTube, mas sugere que esse material faz parte do menu inicial que o algoritmo oferece.

O YouTube afirmou, em declarações ao jornal, que vídeos gerados por IA devem cumprir as mesmas regras que qualquer outro conteúdo e que toma medidas quando suas políticas são violadas. No entanto, a plataforma não oferece números públicos que permitam saber quantas visualizações correspondem a esse tipo de material nem como eles influenciam o total. Essa opacidade obriga a recorrer a estudos externos e deixa em aberto a pergunta sobre se o algoritmo prioriza esses vídeos ou apenas reflete sua proliferação.

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Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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