Eles usavam sua internet e você nem sabia: o esquema oculto em 9 milhões de celulares que o Google acabou de derrubar

IPIDEA, uma empresa chinesa, é apontada como principal autora

Tech | Fonte: Unsplash/fabio
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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O Google anunciou o maior desmonte de uma rede de proxy residencial da história. A operação derrubou a infraestrutura da empresa chinesa IPIDEA, que teria utilizado mais de 9 milhões de dispositivos Android ao redor do mundo como pontos de retransmissão para movimentar grandes volumes de dados de terceiros, sem que os donos dos aparelhos soubessem.

O esquema funcionava de forma silenciosa: a IPIDEA inseria kits de desenvolvimento de software (SDKs) em centenas de aplicativos aparentemente inofensivos — como jogos gratuitos e ferramentas de utilidade. Uma vez instalados, esses apps transformavam o celular em um "nó de saída", mascarando a identidade de quem realmente estava enviando os dados na internet.

Por que esse sistema era tão difícil de detectar?

Diferente de um vírus comum, essa rede não se comportava como um malware tradicional, o que a tornava quase "invisível" para sistemas de segurança comuns.

O sistema explorava permissões já existentes na arquitetura do Android para rotear o tráfego, o que dificultava sua classificação como código malicioso. Os pesquisadores do Google só notaram o problema ao observar um volume anormal de dados saindo de endereços IP residenciais comuns.

Em 2025, a rede da IPIDEA foi invadida por criminosos que assumiram o controle da infraestrutura, criando uma rede de robôs (botnet) chamada Kimwolf, usada para ataques de negação de serviço (DDoS).

O perigo dos aplicativos gratuitos

A investigação do Google identificou mais de 600 aplicativos diferentes carregando o código da IPIDEA. Embora o Play Protect agora consiga bloquear essas bibliotecas, usuários que baixam apps de fontes externas (lojas de terceiros ou arquivos APK) continuam vulneráveis.

O caso acende um alerta sobre a "zona cinzenta" da segurança móvel. Muitas vezes, é difícil distinguir onde termina uma operação legítima de rede (como análise de dados) e onde começa a exploração não autorizada. 

A recomendação dos especialistas permanece a mesma: baixar aplicativos de fontes não oficiais é como "jogar dados" com a segurança do seu dispositivo e a privacidade da sua conexão. 

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