Na noite de 20 de janeiro, moradores do Sul do Brasil presenciaram um espetáculo visual inédito: um brilho roxo intenso iluminando o céu por alguns minutos. O fenômeno foi registrado em cidades como Cambará do Sul (RS) e Alfredo Wagner (SC), menos de 24 horas depois da Terra ser atingida pela tempestade solar mais intensa dos últimos 20 anos, segundo órgãos internacionais de monitoramento espacial.
As imagens impressionantes lembram até uma aurora boreal, fenômeno luminoso natural comum em regiões próximas ao Círculo Polar Ártico, o que está longe de ser o caso do Brasil. Na verdade, a suspeita é de que o evento presenciado no céu seja uma aurora austral, que é bem parecida com a aurora boreal, mas comum no hemisfério sul. A segunda hipótese acredita que possa ser o airglow, um fenômeno astronômico natural causada por uma reação química que gera luz.
Tempestade solar extrema criou condições raras para surgimento da aurora austral
As auroras boreais no Hemisfério Norte e austrais no Hemisfério Sul costumam ser vistas apenas em regiões próximas aos polos, acima do paralelo 60º. O Sul do Brasil, localizado entre os 29º e 33º de latitude, está muito fora dessa zona. Por isso, o acontecimento do último dia 20 deixou a todos surpresos.
Mas o que será que está por trás do acontecimento? Nos dias 18 e 19 de janeiro, o Sol liberou uma sequência de erupções solares e ejeções de massa coronal que atingiram diretamente o campo magnético da Terra. O evento, classificado como nível 4 em uma escala que vai até 5 pelo Centro de Previsão do Clima Espacial dos Estados Unidos, é capaz de provocar falhas em sistemas de GPS, interferências em satélites e aumentar as chances da ocorrência de auroras para latitudes muito mais baixas do que o normal.
Aproveitando a raridade do fenômeno, o fotógrafo e astrofotógrafo Egon Filter, com mais de quatro décadas de experiência e expedições em mais de 100 países, registrou o brilho roxo no céu de Cambará do Sul. Veja a seguir:
Aurora austral ou outro fenômeno atmosférico? O brilho roxo ainda desafia especialistas
Apesar do entusiasmo, os pesquisadores ainda não estão 100% certos de que o evento se trata de uma aurora austral. Especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e observadores internacionais apontam que o fenômeno ainda não tem uma explicação definitiva. Uma das hipóteses levantadas é o airglow, um brilho natural da alta atmosfera causado por colisões entre átomos e moléculas após distúrbios geomagnéticos intensos, um efeito que pode produzir cores semelhantes às das auroras, mas com origem diferente.
O que torna o caso ainda mais relevante é o interesse internacional pelo acontecimento. Após 25 anos de monitoramento geomagnético na região, registros como esse são praticamente inéditos no Brasil. Plataformas especializadas em clima espacial, como o Space Weather, passaram a acompanhar o episódio de perto como um evento possivelmente único. Independente de ser uma aurora austral ou airglow, o espetáculo que durou poucos minutos já entrou para a lista dos fenômenos mais fascinantes já registrados no céu brasileiro.
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