Isolamento territorial, abandono estatatal e grandes problemas de segurança: essa é a atual realidade da comunidade indíegna Bellavista Callarú, no nordeste peruano. A falta de serviços públicos provenientes do Estado abriu margem para o descontentamento do povo, que ameaça deixar o Peru e se anexar às terras brasileiras.
Conheça a comunidade Bellavista Callarú
O povoado indígena Bellavista Callarú fica no distrito de Yavarí, na província de Mariscal Ramón Castilla, Peru - situado ao extremo nordeste do país, dentro da Amazônia peruana, fazendo fronteira com o Brasil e Colômbia.
A comunidade é formada por indígenas Tikuna, que, segundo dados do Censo IBGE de 2022, representam o maior povo indígena em território brasileiro.
Comunidade aponta preacariedade de serviços públicos
Segundo informações do jornal peruano La Región, autoriades de Bellavista Callarú denunciam o avanço do narcotráfico e do crime organizado, além do aumento da violência no territóririo - marcada por assassinatos, extorsões, ameaças e sicariato (contratação de assassinos de aluguéis).
De acordo com as autoridades, o cenário é agravado, principlamente, pela ausência de presença policial e judicial, somada à precariedade de serviços básicos essenciais.
A crise se estende às salas de aula: atualmente, existe apenas um colégio para atender toda a região, contando com apenas dez salas. O serviço de saúde também se mostra insuficiente: a unidade médica local opera apenas com dois técnicos de enfermagem. Não há médicos, enfermeiros padrão ou obstetras.
Ultimato: governo peruno tem 30 dias para respoder às reivindicações
A insatisfação da comunidade atingiu o ápice com um ultimato oficial. Liderado por Desiderio Flores Ayambo, o povoado de Bellavista Callarú estabeleceu um prazo de apenas 30 dias para que o governo peruano responda às reivindicações por segurança e serviços básicos.
Caso o silêncio de Lima persista, Ayambo passou a admitir publicamente uma medida drástica e histórica: o início dos trâmites para tentar incorporar a região ao território brasileiro.
"Caso se concretize uma eventual anexação pelo Brasil, o Peru enfrentaria uma nova e significativa perda territorial. Esse cenário não teria apenas impacto geopolítico, mas evidenciaria o prolongado abandono do Estado nas zonas fronteiriças. Além disso, estabeleceria um precedente preocupante sobre a fragilidade da soberania nacional em regiões historicamente esquecidas", diz o jornal peruano.
"Somos governados pelo Brasil e pelo dinheiro colombiano"
Além das queixas correspondentes à segurança, educação e saúde, existe outra questão: a moeda peruana praticamente já não circula mais pelo território.
"Aqui nós não vemos a moeda peruana, é tudo brasileira e colombiana. Somos governados pelo Brasil e por dinheiro colombiano", conta Desiderio Flores Ayambo.
A comunidade também busca a criação de um distrito próprio, visando a instalação do Estado, o controle do território e o oferecimento serviços para frear o narcotráfico por parte do Governo Federal.
Desiderio Flores Ayambo reforça que a população ainda não deseja romber prorpiamente com o Peru, o objetivo é forçar uma resposta de Lima.
No entanto, caso o prazo de 30 dias não seja cumprido com ações reais, o que hoje é um protesto pode se transformar na busca pela incorporação ao território brasileiro.
Foto: César Sánchez/Pixabay
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