Idoso japonês deixa R$ 18 milhões em barras de ouro nas portas da prefeitura de Osaka; seu único pedido: reformem os encanamentos

Osaka precisa substituir 259 quilômetros de canos e cada 2 quilômetros custam mais de 2 milhões de euros

Barras de ouro em Osaka / imagem: Jingming Pan | Juliana Barquero
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Osaka costuma aparecer nos rankings como uma das cidades mais poderosas do Japão fora de Tóquio. O ranking “power cities” de 2025 a colocou novamente no topo entre as grandes metrópoles do país, excluindo Tóquio. No entanto, por trás desse perfil moderno, há um problema muito menos visível: uma rede de canos envelhecida que exige investimentos milionários e planejamento constante. Nos últimos anos, o estado dessas infraestruturas tem ganhado peso no debate público.

Em novembro do ano passado, em plena discussão técnica sobre como enfrentar essa renovação, chegou um gesto inesperado ao órgão municipal responsável pela água. Um civil entregou 21 kg à administração pública em barras de ouro com uma condição: que fossem totalmente destinados à melhoria das tubulações deterioradas.

O jornal The Mainichi aponta que o prefeito Hideyuki Yokoyama explicou em entrevista coletiva que o conjunto está avaliado em 560 milhões de ienes, cerca de R$ 18,4 milhões. “Reparar canos de água antigos requer um grande investimento. Por isso, só tenho agradecimento”, afirmou ao agradecer a doação, confirmando que a Prefeitura respeitará essa vontade.

Além do valor do ouro e de seu destino, a identidade de quem realizou a doação continua desconhecida. O prefeito detalhou que a pessoa pediu para permanecer anônima e não foram fornecidos dados sobre seu perfil ou origem. Foi divulgado, porém, que não se trata de um gesto isolado: anteriormente, ele já havia contribuído com 500 mil ienes (cerca de R$ 16,5 mil) em dinheiro para o sistema de água.

A conta real

Ao analisar os números oficiais, a dimensão da doação se torna ainda mais evidente. Segundo explicou à Associated Press Eiji Kotani, responsável pelo serviço municipal de água, Osaka precisa renovar um total de 259 quilômetros de tubulações. Substituir um trecho de apenas 2 quilômetros representa um custo aproximado de 500 milhões de ienes (cerca de R$ 16,5 milhões), valor próximo ao total das barras de ouro. Além disso, foi divulgado que os vazamentos sob as estradas aumentaram nos últimos tempos.

Osaka

O problema não se limita a Osaka. Grande parte da infraestrutura pública japonesa foi construída durante o rápido crescimento econômico das décadas de 1960 e 1970 e, hoje, muitas dessas redes necessitam de renovações de grande porte. A BBC aponta que mais de 20% dos canos de água do país já ultrapassaram os 40 anos, que é a vida útil legal.

Esse debate deixou de ser abstrato no final de janeiro de 2025, quando uma enorme cratera se abriu em uma estrada em Yashio, na prefeitura de Saitama. O afundamento engoliu um caminhão e desencadeou uma complexa operação de resgate enquanto as equipes tentavam acessar a cabine onde estava o motorista, de 74 anos. Funcionários do sistema de esgoto indicaram que a corrosão de um cano pode ter gerado uma cavidade sob o asfalto até provocar o colapso. Como podemos ver, a doação pode ajudar a impulsionar a renovação das tubulações, mas está longe de resolver todo o problema.

Imagens | Jingming Pan | Juliana Barquero

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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