Está mais do que comprovado que as fronteiras e as bandeiras às vezes se tornam foco de conflitos e inimizades. O fato de vermos o nosso próprio planeta de fora, por meio das imagens captadas pela Artemis II, nos ajuda a entender que, no fundo, todos fazemos parte de um mesmo todo. Um todo que ainda não conta com a sua própria bandeira. Por isso, há muitos anos, de tempos em tempos, alguém propõe uma bandeira única para toda a humanidade. Agora, com tudo o que envolve a viagem à Lua, as propostas voltam a aparecer nas redes sociais.
Em 1970, um fazendeiro de Illinois chamado James Cadle, inspirado pela chegada dos humanos à Lua na Apollo 11, decidiu criar uma bandeira que representasse todo o nosso planeta. O resultado foi uma bandeira simples, fácil de reproduzir, na qual se vê a Terra como uma bolinha azul, acompanhada de outra menor, de cor branca, representando a Lua. O fundo era amarelo e preto, em homenagem ao Sol e à escuridão do espaço. A bandeira foi hasteada pela primeira vez em um poste de energia rural, no qual o próprio Cadle subiu, mas depois passou a fazer parte de vários projetos espaciais.
Seguindo com os conceitos minimalistas e, sobretudo, unificadores, no ano 2000 a designer dinamarquesa Anne Kirstine Rønhede criou uma nova bandeira da Terra. Nessa ocasião também havia uma bolinha azul-clara, rodeada por uma borda branca que representa sua atmosfera e um fundo azul mais escuro representando o cosmos.
Em 2015, o designer sueco Oskar Pernefeldt criou outra bandeira da Terra. Nela são representados sete círculos entrelaçados, um para cada continente. Espera-se que possa ser usada como símbolo da Terra em futuras missões a Marte.
A ciência entra em cena
A chegada à Lua da Artemis II inspirou mais pessoas a buscar uma bandeira que nos represente como planeta. Já que foi a ciência que nos levou até lá, as propostas mais recentes se concentram justamente nela. Os pioneiros nesse tipo de mensagem foram Frank Drake e Carl Sagan, que, nos anos 70, decidiram compor mensagens que reunissem o conhecimento científico da humanidade para enviá-las ao espaço em busca de possível vida inteligente.
Assim surgiu a Pioneer Plaque, uma placa física de alumínio anodizado em ouro que foi fixada nas sondas Pioneer 10 e 11, caso alguma civilização alienígena interceptasse a nave. Para abranger mais espaço, também projetaram uma mensagem de rádio, que foi batizada de mensagem de Arecibo. Era um sinal transmitido por meio do radiotelescópio de Arecibo, daí o nome.
Recentemente, a designer braingrub propôs em sua conta no X uma bandeira da Terra baseada em um dos componentes da Pioneer Plaque. Trata-se do mapa de pulsares, um diagrama que indica nossa localização exata na Via Láctea. Os pulsares são estrelas usadas para mapear o espaço devido a emitirem ondas de rádio em períodos muito regulares e específicos. Como um farol único.
No mapa, há 14 linhas que apontam para diferentes pulsares localizados ao redor da Terra. Cada linha, além disso, contém símbolos que indicam, em binário, o pulso exato de cada um desses pulsares. Assim, por meio de seu pulso único, é possível encontrar esses “faróis” e, pela distância relativa representada nas linhas, localizar o Sol, que é o ponto onde todas elas convergem. Do Sol até a Terra, tudo já seria mais simples para uma civilização inteligente.
Um momento ideal. Não é estranho que esta seja uma das propostas de bandeira da Terra mais interessantes que podemos encontrar na internet. Sem dúvida, o conceito é muito sugestivo, especialmente em uma época em que vemos cada vez mais claramente o quanto carecemos de união como humanidade.
Imagens | NASA | James Cadle | Anne Kirstine Rønhede | Oskar Pernefeldt | braingrub
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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