Nem Tesla e nem montadoras europeias — a China já está testando veículos que dirigem quase sozinhos no meio do trânsito

Sistemas chineses de condução semiautônoma conseguem tomar decisões praticamente sozinhos no meio do tráfego urbano

Autopilot
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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A China ainda não liberou oficialmente carros totalmente autônomos circulando livremente pelas ruas, como já acontece em algumas regiões dos Estados Unidos. Mesmo assim, as montadoras chinesas avançaram rapidamente no desenvolvimento de sistemas de condução semiautônoma capazes de assumir boa parte das decisões durante um trajeto urbano.

O principal exemplo dessa nova fase é o NOA, sigla para “Navigation on Autopilot”, ou “Navegação em Piloto Automático”. O sistema já está sendo testado em cidades como Pequim, Xangai, Shenzhen e Wuhan e combina inteligência artificial, mapas extremamente detalhados, conexão permanente à internet e sensores espalhados pelo carro para permitir que o veículo se desloque praticamente sozinho no trânsito.

Como funciona o sistema NOA usado nos carros chineses

Durante um teste realizado em Baoding, cidade localizada a cerca de 180 quilômetros de Pequim, o sistema demonstrou um nível de autonomia superior ao encontrado atualmente na maior parte dos carros vendidos fora da China. Em vários momentos do percurso urbano, o veículo conseguiu acelerar, frear, mudar de faixa e realizar conversões sem qualquer intervenção direta do motorista.

Apesar disso, a legislação chinesa ainda exige supervisão humana constante. O motorista precisa permanecer atento ao trânsito, manter o rosto voltado para a via e conservar as mãos apoiadas no volante, ainda que sem aplicar força sobre ele. Sensores internos monitoram continuamente o comportamento do condutor e conseguem identificar distrações, desvios de olhar ou falta de atenção.

Carros usam internet, mapas detalhados e sensores LiDAR

O funcionamento do NOA depende de uma estrutura tecnológica muito mais ampla do que sistemas tradicionais de piloto automático. Além das câmeras externas, o carro utiliza radares, sensores LiDAR e conexão constante via 4G ou 5G. O sistema também depende do Beidou, o sistema chinês de navegação por satélite criado como alternativa ao GPS americano.

O veículo cria uma representação tridimensional do ambiente em tempo real. O mapa exibido na central multimídia também mostra informações detalhadas sobre semáforos, faixas de pedestres, radares, restrições de circulação e até infrações monitoradas eletronicamente.

Ao longo do teste, o carro identificou corretamente automóveis, caminhões, ônibus, bicicletas, motos e pedestres ao redor. Em uma das situações, o sistema desviou sozinho de uma bicicleta caída na rua. Em outra, reduziu a velocidade automaticamente após detectar uma moto cruzando a via mesmo sem sinal verde.

Diferença entre o NOA chinês e o Autopilot da Tesla

Enquanto a Tesla prioriza inteligência artificial baseada principalmente em imagens captadas pelas câmeras do veículo, o sistema chinês trabalha com uma grande quantidade e faz cruzamento de informações. O carro combina mapas extremamente detalhados, sensores adicionais, conexão contínua à internet e leitura permanente do ambiente ao redor para reduzir margens de erro.

Outro detalhe curioso é a presença de luzes verdes instaladas próximas às lanternas dos veículos. Quando acesas, elas indicam para pedestres e outros motoristas que o sistema semiautônomo está conduzindo o carro naquele momento.

Foto de capa: Shutterstock

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