Fibras fabricadas por bactérias e algodão que já nasce colorido: Jeff Bezos investe US$ 34 milhões em pesquisas para desenvolver tecidos sustentáveis

No longo prazo, ideia é que esses materiais possam substituir o poliéster e a viscose

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin, também tem seu lado filantrópico, que ele apresenta em iniciativas como o Fundo Bezos para a Terra, destinado a combater as mudanças climáticas. Sim, o mesmo senhor do jato particular e do megaiate.

Recentemente, Bezos investiu US$ 34 milhões no Fundo para desenvolver tecidos sustentáveis de nova geração a partir de bactérias, resíduos agrícolas e outras fontes biológicas. O objetivo é criar materiais que exijam menos petróleo, sejam biodegradáveis e, mais cedo ou mais tarde, sejam capazes de substituir o poliéster, a viscose e até mesmo o algodão, um material de origem natural, mas cuja produção para a indústria têxtil consome muita água.

Esses US$ 34 milhões estão distribuídos entre quatro projetos atribuídos a quatro instituições de pesquisa de primeira linha:

  • US$ 11,5 milhões para a Universidade Columbia e o Instituto de Tecnologia da Moda para desenvolver fibras têxteis fabricadas por bactérias que se alimentam de resíduos agrícolas.
  • US$ 10 milhões para Berkeley, Stanford e Caltech desenvolverem fibras biodegradáveis inspiradas na teia de aranha, mas sem o artrópode e sem o uso de plásticos.
  • US$ 11 milhões para a Universidade Clemson modificar geneticamente o algodão com o objetivo de melhorar seu rendimento e fazê-lo nascer já com a cor desejada.
  • US$ 1,5 milhão para a Fundação do Algodão restaurar o maior banco de sementes de algodão não transgênico do mundo.

A moda é a segunda indústria mais poluente, sendo responsável por 8% das emissões totais de carbono e por 20% das águas residuais globais. As previsões apontam para um aumento de 50% nas emissões de gases de efeito estufa até 2030 — e isso apenas na etapa de produção.

Depois que as roupas são usadas, há outro problema inerente aos têxteis sintéticos: os microplásticos. A Agência Europeia do Ambiente estima que os têxteis sintéticos representem entre 16% e 35% dos microplásticos que chegam aos oceanos todos os anos, com algo entre 200 mil e 550 mil toneladas entrando anualmente no ambiente marinho.

Um problema global

Nos últimos 20 anos a produção da indústria têxtil quase dobrou: passou de 58 milhões de toneladas em 2000 para 116 milhões em 2022, com a estimativa de atingir 147 milhões até 2030. Enquanto isso, apenas 1% das roupas produzidas é reciclado para fabricar peças novas, segundo a Fundação Ellen MacArthur.

A situação é tão alarmante que o Secretário-Geral da ONU já advertiu que a moda rápida está acelerando uma catástrofe ambiental. As soluções propostas incluem duplicar a vida útil das peças (o que implica que as roupas sejam mais duráveis), algo que, segundo especialistas, poderia reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 44%. A outra opção é utilizar uma nova geração de têxteis reciclados e/ou mais sustentáveis, como os que o Fundo Bezos agora quer ajudar a desenvolver.

Considerando que a automação e os avanços da indústria têxtil já vêm otimizando o processo produtivo, o que Bezos e sua equipe pretendem fazer é resolver o problema na origem, isto é, mudar e aprimorar o material básico. Assim, no caso do algodão, o objetivo é integrar a cor e melhorar o rendimento e a resistência por meio de alterações na biologia da planta. Já no caso dos tecidos produzidos por bactérias, a proposta da Universidade Columbia é criar um mapa digital para compreender como as células os fabricam e, assim, poder reproduzir esse processo.

O maior desafio é a transição do laboratório para a fábrica. As fibras de seda de aranha sintética prometem uma revolução têxtil há décadas, sem terem alcançado uma escala industrial real. Já existem startups de têxteis sustentáveis, como a Spiber e a Circulose, comercializando alternativas aos tecidos tradicionais, mas sua presença ainda é bastante limitada. E US$ 34 milhões podem parecer uma fortuna para a maioria dos mortais, mas são trocados quando se trata de transformar uma indústria como a têxtil, avaliada em US$ 1,3 trilhão e que emprega mais de 300 milhões de pessoas em toda a cadeia de valor, segundo a Fundação Ellen MacArthur.

Além disso, as fibras sustentáveis costumam ser mais caras, mais difíceis de produzir em larga escala e só são economicamente viáveis para as grandes marcas se o volume e a qualidade forem adequados. Vai ser preciso algo mais para convencer o mercado a comprar essas peças em vez das opções de moda rápida.

Imagem | Flickr e David Clode (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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