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Não é só açúcar: novo relatório emite alerta para 28 doces famosos contendo níveis de arsênio

Assosciação de Confeiteiros dos Estados Unidos contestou os resultados

Foto: iStock
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

Um novo relatório do Departamento de Saúde da Flórida acendeu um alerta sobre a segurança alimentar nos Estados Unidos. Os testes detectaram níveis de arsênio em 28 doces populares, incluindo marcas conhecidas mundialmente.

Entenda o que é o arsênio e quais são os seus perigos

O arsênio (As) é o semimetal número 33 da tabela periódica. É uma substância natural, presente no ambiente terrestre por meio de poeiras, erupções vulcânicas e também liberada por atividades humanas, como mineração, uso de agrotóxicos e queima de carvão.

O elemento químico pode originar dois tipos de compostos: os orgânicos (presentes em crustáceos, moluscos e outros frutos do mar) e os inorgânicos (compostos metálicos e ferrosos capazes de contaminar plantações e fontes de água).

Os compostos orgânicos não são considerados prejudiciais ao ser humano, pois são eliminados rapidamente pelo corpo. Já os compostos inorgânicos são altamente tóxicos, especialmente em casos de exposição prolongada. O arsênico, uma das formas inorgânicas mais conhecidas, é usado como pesticida e é considerado veneno potencialmente letal.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o arsênio está entre as 10 substâncias de maior preocupação para a saúde pública, podendo causar intoxicações alimentares, reações alérgicas, câncer - e, em casos extremos, a morte.

Testes não resultaram no recolhimento de produtos

Os testes, conduzidos dentro da iniciativa Healthy Florida First (“Flórida Saudável Primeiro”) - parte do programa Make America Healthy Again (“Tornar a América Saudável Novamente”), promovido pelo governador Ron DeSantis - analisaram 46 produtos de 10 empresas.

As amostras foram compradas online e em lojas físicas em todo o estado e examinadas por um laboratório certificado. O procedimento calcula o arsênio total, mas não distingue entre as formas orgânicas e inorgânicas.

Com base nos resultados, o departamento calculou limites de consumo “seguros”, baseados em dados hipotéticos de ingestão mensal e anual, tomando como referência crianças, devido ao menor peso corporal e maior vulnerabilidade.

Apesar dos resultados, não houve recolhimento de produtos, e as autoridades reforçaram que os riscos dependem da frequência de consumo e exposição.

“Como pais e consumidores, devemos ter confiança de que os produtos vendidos nos supermercados são seguros e livres de veneno”, afirmou Casey DeSantis, primeira-dama do estado, ao divulgar os resultados.

Associação Nacional de Confeiteiros contesta resultados

A Associação Nacional de Confeiteiros (NCA), que representa os fabricantes de doces dos EUA, contesta as conclusões do relatório e classifica as decisões da Flórida como “equivocadas”.

“Chocolate e doces são seguros para consumo e podem ser apreciados como guloseimas, como têm sido há séculos”, declarou a NCA.

O grupo criticou o governo estadual por usar parâmetros diferentes dos padrões federais e basear-se em cenários hipotéticos de consumo anual, o que, segundo eles, poderia gerar alarme desnecessário.

A associação também apontou que programas federais como a iniciativa Closer to Zero, da Food and Drug Administration (FDA), e o Total Diet Study Interface mostram níveis muito mais baixos de arsênio nos produtos analisados.

“A Flórida optou por frases de efeito em vez de ciência, ignorando programas baseados em evidências e publicando materiais sem fontes confiáveis, o que não passa de uma tática para assustar”, afirmou a NCA.

Em resposta, autoridades da Flórida disseram que o objetivo é complementar, e não substituir, os esforços federais de segurança alimentar.

Doces apresentaram os maiores níveis detectados

O relatório também apresentou uma lista com os produtos que registraram os níveis mais altos de arsênio nos testes. Por isso, eles atingem mais rapidamente o limite anual de consumo considerado seguro (quanto menor o número de unidades necessárias para alcançar esse limite, maior é a concentração de arsênio encontrada no produto).

Doces como Twizzlers, Snickers e Kit Kat aparecem entre os que exigem poucas unidades por ano para atingir a quantidade máxima tolerada pelo estado da Flórida.

Veja os principais:

  • Nerds (uva/morango) - 96 unidades por ano
  • SweeTarts Original - 48 unidades por ano
  • Sour Patch Kids - 36 unidades por ano
  • Skittles - 48 unidades por ano
  • Trolli Sour Brite Crawlers - 12 unidades por ano
  • Balas Jolly Ranchers (maçã azeda/morango) - 6 unidades por ano
  • Twizzlers Morango - 4 unidades por ano
  • Tootsie Rolls - 8 unidades por ano
  • Snickers - cerca de 2,5 unidades por ano
  • Kit Kat - cerca de 2,5 unidades por ano

A lista completa está disponível no site ExposingFoodToxins.com

Foto de capa: iStock


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