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A morte de um império é o nascimento de outro: gráfico revisita história das civilizações há mais de 4 mil anos

Este gráfico é um roteiro da evolução dos impérios ao longo dos últimos milênios

Ele nos permite ver perfeitamente quando nasceram, como se expandiram e se desapareceram abruptamente ou se permaneceram restritos a um único território

Imagem | Visual Capitalist
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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O fato de o mundo estar dividido em blocos ou potências não é novidade. O que vivenciamos hoje é a base do que vivenciaremos daqui a alguns séculos, assim como fomos moldados pelos impérios que nos precederam. Por exemplo, os gregos lançaram as bases da civilização ocidental e os romanos, as bases das estradas de hoje, mas o que acontecia em outras partes do mundo enquanto Sócrates ou Filipe II estavam no poder?

É aí que entra este gráfico, ótimo para simplificar as jornadas dos impérios e sua influência ao longo da história.

Gráfico

Simplificando impérios

O gráfico em questão é um trabalho da Michigan Geographic Alliance, criado como uma ferramenta de trabalho disponível para quem tiver interesse.

Chama-se World GeoHistogram e combina geografia e tempo numa estrutura visual unificada que mostra claramente a ascensão e queda dos impérios. A história não é um jogo de soma zero em que, quando um império cai, outro surge imediatamente, é um pouco mais complexo, mas o gráfico permite-nos apreciar de forma muito visual não só os impérios que se sucedem, como também aqueles que se desenvolvem em paralelo e com os quais podem entrar em conflito.

Está organizado de forma muito simples, com linhas que são "estradas" representando cada um dos territórios do mundo, e um dos primeiros conflitos que vemos é entre a Grécia, a Pérsia e Alexandre, o Grande.

Gráfico

Expansão efêmera

Um exemplo perfeito de como dois grandes impérios se desenvolvem em uníssono: gregos e persas. Ambas civilizações tinham ambições expansionistas, mas chegou um ponto, com Alexandre, o Grande, em que essas ambições colidiram. Podemos ver como a mancha azul da Grécia cresce rapidamente pelo Norte de África, Médio Oriente e Ásia, encontrando o território persa.

Foi uma expansão efêmera que durou apenas alguns anos e podemos ver que, após sua influência, a Grécia não retornou ao que era, dando lugar a outros impérios, como o Romano.

Outra expansão nótavel é a dos mongóis, que fizeram o mesmo movimento que Alexandre, mas da Ásia Oriental para o Oriente Médio e até mesmo para parte da Europa. Em sua expansão, entraram em conflito com outras civilizações, mas chegaram a um ponto em que simplesmente desapareceram e a Idade Média começou.

Potências paralelas

Os califados, os sassânidas e os bizantinos também expandiram seu poder por séculos, enquanto na Europa celtas e vikings conquistaram territórios, mas não formaram impérios propriamente ditos. Agora, no final da Idade Média, as coisas começaram a mudar na Europa. Após anos de impérios como o Sacro Império Romano-Germânico, França, Holanda, Portugal, Inglaterra e Espanha começaram a florescer como potências, todas com o mesmo objetivo: obter terras.

O imperialismo europeu é perfeitamente ilustrado no gráfico, onde podemos ver que se espalhou por todos os territórios. Em alguns lugares, eles tiveram mais ou menos influência, mas permaneceram por um longo período até que sua existência foi interrompida pelas guerras mundiais. No entanto, esse "império europeu" se desenvolveu paralelamente a outro de tamanho colossal: o Otomano.

Isso também reflete perfeitamente como a América teve impérios que se sucederam, como os olmecas, os maias e os astecas... até que foram sufocados pela colonização.

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Longa duração

Não falamos da China e do Japão porque a ambição local era... diferente. O Japão, até a chegada da Era Meiji, se desenvolveu em sua ilha. Até teve contato com os mongóis e os ming, mas foi somente com a já mencionada Era Meiji e a Primeira Guerra Sino-Japonesa que começou a se interessar por outros territórios. Antes da Segunda Guerra Mundial, essa ambição estava consolidada na China, mas também em territórios da Oceania e, assim como nos impérios europeus, foi sufocada logo após a Segunda Guerra Mundial.

Na China, a situação era diferente. Em termos de população e organização, a China é o único império (simplificando bastante) que se manteve por mais de 2,5 mil anos. Passou por diferentes eras (Qin, Han, Tang, Ming ou Qing), mas quase sempre manteve o foco em seu território, sem os desejos expansionistas dos mongóis ou a conquista além mar dos europeus, otomanos e romanos.

Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo dividiu-se em dois grandes blocos, liderados pelos Estados Unidos e pela União Soviética. O fim da Guerra Fria e a queda da URSS marcaram os Estados Unidos como a potência hegemônica e, nas últimas décadas, a China emergiu como outro grande polo de poder.

Gráfico

Assim como o gráfico, comprimi as informações em excesso, pois, como disse, a história não é um jogo de soma zero, mas um conjunto de elementos que levam tempo e são de grande complexidade. O próprio gráfico, embora muito visual, tem algumas limitações com, por exemplo, sociedades que não se encaixam no modelo de "grande império" e foram deixadas de fora.

Aquelas sem estados centralizados, registros escritos ou controle territorial expansivo, como as culturas indígenas americanas ou subsaarianas, não estão representadas. Mas, apesar disso, é um excelente gráfico que permite acompanhar uma narrativa sobre impérios desde antes de 3.000 a.C. até os dias atuais.

Imagens | Visual Capitalist, Michigan Geographic Alliance

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