Eunice da Silveira, 111 anos, 15 filhos e 52 tataranetos: os hábitos cotidianos que teve ao longo da vida e que atribui à sua longevidade

Sem fórmulas milagrosas nem remédios: a história de uma mulher que ultrapassou os 100 anos com base em uma rotina ativa

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Bárbara Castro

Redatora

Embora a ciência e os avanços na saúde pública tenham elevado a expectativa de vida global, chegar aos 111 anos continua sendo um marco reservado a pouquíssimas pessoas. No Brasil, essa marca expressiva pertence à Eunice Anício da Silveira, mulher que hoje integra a seleta lista das pessoas mais velhas do país.

Toda vez que se documenta o caso de alguém que supera o centenário, surge a mesma pergunta: qual é o segredo por trás de tanta resistência biológica? Longe de receitas milagrosas ou terapias inacessíveis, sua história mostra que a resposta está, na verdade, em uma rotina de hábitos simples cultivados por mais de um século na roça.

Uma vida dedicada ao campo e quatro gerações de descendentes

De acordo com os registros da LongeviQuest — organização internacional especializada em auditar e mapear pessoas centenárias pelo mundo —, a brasileira nasceu em 21 de outubro de 1915 em Joanésia, comunidade rural no interior de Minas Gerais. Com base nessas checagens, o portal Metrópoles noticiou que ela ocupa a nona posição entre as pessoas vivas mais velhas do Brasil.

Aos 16 anos, em fevereiro de 1932, Eunice se casou com Oswaldo de Carvalho Lage. O casal permaneceu junto por 74 anos e dez meses, até o falecimento dele em 2007. Ao longo dessa trajetória, tiveram 15 filhos, dos quais dois morreram ainda na infância. Os outros treze chegaram à idade adulta: dez mulheres e três homens.

A família seguiu se multiplicando com o passar das décadas. Aos 111 anos, a mineira conta com nove filhos vivos, 50 netos, 88 bisnetos e 52 tataranetos. Em conversa com o Diário do Aço em 2015, quando celebrava seu 101º aniversário, ela relembrou o esforço físico intenso que era criar tantas crianças sem o suporte de qualquer tecnologia ou serviço moderno.

A dinâmica doméstica dependia do esforço coletivo: as filhas mais velhas cuidavam dos menores enquanto os demais trabalhavam na terra, pilavam arroz, torravam café e cuidavam dos animais. A mesa era abastecida exclusivamente pelo que colhiam — milho, abóbora e mandioca —, além da criação de porcos e galinhas. Comparando aquela rotina aos dias atuais, ela comentava bem-humorada sobre a praticidade moderna: "Hoje tem babá, eu nunca tive".

Os segredos por trás de uma saúde centenária

Reprodução

Ao completar o primeiro século de vida, a matriarca afirmou que praticamente nunca havia enfrentado problemas de saúde graves, tampouco dependia de medicamentos contínuos ou idas frequentes ao médico. Em vez de atribuir o feito apenas à sorte genética, apontou uma conduta diária bastante regrada: dormir e acordar cedo, tomar leite fresco com frequência e manter o corpo sempre em atividade.

O pilar de sua longevidade esteve em uma alimentação colhida diretamente da horta, livre de produtos industrializados e combinada a horários rigorosos ditados pelo nascer do sol e pelo trabalho na roça.

Ainda que o cotidiano urbano moderno imponha outros ritmos, os princípios seguidos por ela continuam atuais: valorizar a comida caseira, priorizar alimentos frescos no prato, fugir de ultraprocessados e deixar o sedentarismo de lado por meio do movimento diário constante.

Matéria traduzida de Xataka*

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