China vive explosão de sua bolha de IA, gerando preocupação no Ocidente

Gráficos de duas empresas de componentes ópticos mostram o estouro dessa bolha

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O fim de outubro foi extremamente movimentado. A Anthropic finalmente publicou seus documentos visando uma futura abertura de capital e, enquanto isso, vimos as principais empresas de tecnologia do mundo sofrerem abalos, com o Google protagonizando uma das quedas mais expressivas. Na China, esse abalo se transformou diretamente em um colapso.

O motivo: nos últimos quatro meses, as indústrias de IA e de semicondutores chinesas sofreram uma queda de 40%.

Há alguns dias, a Reuters publicou um artigo intitulado “A bolha da IA já estourou na China”. Depois de meses ouvindo Jensen Huang defender que não existe nenhuma bolha e que essa situação é totalmente diferente de qualquer outra semelhante vivida anteriormente, o fato é que o STAR50, índice de Xangai que reúne as principais empresas de IA e semicondutores da China continental, perdeu 40% de seu valor desde o pico registrado em julho. Isso representa o desaparecimento de 480 bilhões de dólares em valor de mercado.

E a notícia não veio sozinha. O CSI300 é o índice que reúne as grandes empresas listadas do país e, também desde os máximos alcançados em julho, caiu 20%. A Reuters compara esse desempenho ao do Nasdaq americano, que acumula uma queda de 6% desde seu recorde, alcançado apenas três semanas antes. Já a Bloomberg destaca que a queda do STAR50 é significativa porque o índice é o pior entre os principais índices de tecnologia do mundo neste semestre.

O que isso significa

Essa queda de 40%, isoladamente, não diz muita coisa, mas o banco Goldman Sachs afirma que as ações de empresas chinesas de IA representam 42% da capitalização do mercado chinês e 57% das negociações nas bolsas da China continental e de Hong Kong. Se, nos EUA, o mercado é dominado pelos grandes investidores, na China são os pequenos investidores que dão as cartas — e a avaliação é que poucos conseguiram escapar das perdas. Há vários casos que ilustram a situação:

  • Unitree (robôs humanoides): recebeu uma demanda de investidores individuais 8.000 vezes superior à oferta, mas suas ações perderam metade do valor desde que começaram a ser negociadas.
  • CXMT (memórias): perdeu mais de um quarto de seu valor no último mês.
  • MetaX e Moore Threads (chips): dispararam 700% e 400%, respectivamente, em suas estreias na bolsa, em 2025, mas perderam metade do valor desde julho deste ano.
  • Zhongji Innolight e Eoptolink (componentes ópticos): caíram cerca de 60% em relação aos seus máximos registrados neste verão.

Agora, vale fazer uma ressalva: embora o gráfico do valor dessas empresas nas últimas semanas mostre uma queda evidente, a situação, mesmo depois desse recuo, ainda é muito melhor do que há um ano.

O que desencadeou a queda?

Segundo a análise da Bloomberg, as vendas globais de equipamentos de IA atingiram as ações chinesas com mais força depois que investidores estrangeiros entraram em massa no setor durante o trimestre anterior. Também há casos como os da Zhongji Innolight e da Eoptolink, nos quais a engrenagem foi freada porque Washington está avançando em direção a uma proibição dessas empresas como fornecedoras de equipamentos para os centros de dados dos EUA. No caso dessas duas companhias, a situação realmente está pior do que há pouco tempo, o que pode estar relacionado à dificuldade de vender fora da China:

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Por sua vez, a Reuters aponta que não há um fator desencadeante evidente. Existem questões como os preços elevados, a carga tributária e a ameaça de que países ocidentais proíbam componentes chineses, mas nada disso deveria ter provocado um colapso da magnitude do que essas empresas experimentaram.

Como a própria Reuters aponta, o STAR50 ainda é negociado a cerca de 100 vezes seus lucros dos últimos 12 meses. Antes, esse múltiplo era de 250 vezes, e foi justamente esse valor que despencou. Os investidores temem que a queda continue, mas é preciso levar em consideração que o índice chinês não é nem de longe tão estável quanto outros, como Nasdaq ou Dow Jones.

Trata-se de um mercado muito jovem em comparação com os outros dois e dominado por pequenos investidores, que tendem a agir em manada e a reagir com mais intensidade às altas e baixas do que outros fundos ao redor do mundo. Por isso, quando percebem uma tendência positiva ou, pelo contrário, qualquer sinal de alerta, correm para negociar suas ações, alterando enormemente o valor das empresas que fazem parte do STAR50.

Além disso, ele também difere dos outros dois por ser uma cesta pequena e muito concentrada em semicondutores e IA. O Nasdaq reúne centenas de empresas e o Dow Jones, embora conte com apenas 30, inclui companhias de diversos setores, muito maduras e bastante diversificadas. Isso significa que a bolha da IA estourou na China? Na verdade, ainda é preciso observar se essa tendência vai se consolidar ou se será apenas um fenômeno passageiro em um mercado tão volátil.

Imagem | Li Yang (Unsplash)

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha.


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