Compraram um carro elétrico e agora querem voltar ao diesel: os motivos por trás do "efeito retorno"

Tarifas de recarga, revenda incerta e carregadores com defeito: os motivos que mais pesam na decisão.

Carro Eletrico
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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As vendas de carros elétricos continuam crescendo na Europa. Os modelos movidos a bateria já representam 27% dos emplacamentos no continente. No entanto, os números brutos de vendas não revelam quantos desses motoristas comprariam outro veículo elétrico — ou se desistiriam da tecnologia.

É aí que surge o chamado "efeito retorno". De acordo com um estudo da consultoria McKinsey & Company, 19% dos proprietários de um elétrico na Europa afirmam que é provável que seu próximo automóvel volte a ser movido a gasolina ou diesel.

Por que eles hesitam ou pretendem voltar ao motor a combustão

A média global de motoristas dispostos a retornar a um veículo com motor a combustão interna chega a 29%, com Austrália (49%) e Estados Unidos (46%) liderando a lista. Na contramão, o índice cai para 18% na França e 15% na Itália. Além disso, 7 em cada 10 donos de modelos 100% elétricos na Europa garantem que não voltariam a ter um carro a combustão.

Os motivos de quem hesita não são ideológicos. O primeiro deles, como de costume, é puramente financeiro. Recarregar a bateria em casa continua valendo muito a pena, mas quem depende da rede pública encontra tarifas cada vez mais salgadas, principalmente nas rodovias.

Percentagem de proprietários de carros elétricos que voltariam a ter um carro a gasolina, discriminada pelos principais mercados globais. Percentagem de proprietários de carros elétricos que voltariam a ter um carro a gasolina, discriminada pelos principais mercados globais. A média global é de 29%. Fonte: McKinsey & Co.

Porcentagem de proprietários de carros elétricos que voltariam a comprar veículos a gasolina, detalhada pelos principais mercados globais. A média mundial fica em 29%. Fonte: McKinsey & Company.

Soma-se a isso a desvalorização do veículo. O mercado de elétricos seminovos e usados ainda é muito recente, a tecnologia evolui rápido demais e ninguém sabe ao certo quanto o carro valerá daqui a alguns anos em comparação com um modelo a combustão ou híbrido equivalente. Por enquanto, os veículos a bateria perdem valor de revenda com muito mais rapidez.

Outro grande ponto de atrito surge nas estradas. Eletropostos inoperantes, filas nas estações de recarga durante feriados e preços elevados no carregamento rápido pesam contra a experiência. Os levantamentos mais recentes da McKinsey apontam justamente nessa direção.

Em seu relatório com dados projetados para 2026, o medo de ficar sem carga (a clássica ansiedade de autonomia) caiu da segunda posição de preocupações em 2023 para o oitavo lugar. Em contrapartida, a apreensão com a disponibilidade de carregadores públicos segue no topo. Ou seja: o que realmente preocupa já não é quantos quilômetros o automóvel roda com uma carga, mas sim a confiabilidade da rede para recarregá-lo. Um panorama que mudou pouco desde 2023.

Carros elétricos

Quem compra um carro elétrico hoje já não é movido pelo entusiasmo cego dos pioneiros, como acontecia nos tempos dos primeiros Nissan Leaf ou dos primeiros Tesla. O cliente atual é mais pragmático e faz contas. Por isso, embora exista uma parcela expressiva insatisfeita, a intenção geral de migrar para a eletricidade continua em ascensão — na Alemanha, por exemplo, o interesse subiu de 22% em 2023 para 31% atualmente.

O preço alto da gasolina e do diesel funcionou como um forte empurrão para a eletrificação. Por outro lado, esse público não aceita abrir mão de exigências em equipamentos, conforto e praticidade no elétrico em relação ao que já tinha em modelos tradicionais.

Assim, esses 19% de compradores que não pretendem ter outro elétrico não indicam o fracasso do segmento, mas mostram que a experiência de uso importa tanto quanto o produto em si. A grande maioria aprova e repetiria a compra; quem cogita voltar ao motor térmico faz isso sobretudo pelo valor de revenda incerto e pelos gargalos na infraestrutura de recarga, que continua sendo o calcanhar de Aquiles dos carros elétricos.

Imagens | Motorpasión, Stellantis

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Motorpasión.

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