Elon Musk está convencido de que muitas "neoclouds" vão desaparecer, mas Jensen Huang diz que nem a pau

Enquanto Elon Musk alerta que a conta do endividamento das neoclouds não vai fechar, o CEO da Nvidia aposta que a fome global por processamento de IA sustentará o setor bilionário

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Bárbara Castro

Redatora

A rentabilidade a médio e longo prazo das neoclouds não está nem um pouco garantida. Nem mesmo os maiores especialistas chegam a um consenso sobre o destino dessas companhias. Na prática, essas empresas se dedicam principalmente a alugar a capacidade computacional de seus data centers para laboratórios de inteligência artificial (IA) que precisam de poder bruto para treinar e rodar modelos avançados. Entre os nomes mais conhecidos estão CoreWeave, Lambda, Together AI, TensorWave e Nebius — as quatro primeiras nos Estados Unidos, e a última sediada na Holanda.

Com o boom da IA que estamos vivenciando nos últimos quatro anos e a corrida frenética para construir mais data centers pelo planeta, é fácil supor que as neoclouds estão nadando em dinheiro. E, de fato, algumas delas estão em plena expansão. A holandesa Nebius faturou US$ 582 milhões no segundo trimestre de 2026, alcançando uma taxa anualizada de receitas na casa dos US$ 3 bilhões no fechamento de junho. Já a CoreWeave registrou um faturamento de US$ 2.575 milhões no mesmo período — mais que o dobro do valor obtido um ano antes.

Além disso, gigantes e novos laboratórios de IA fecharam contratos bilionários com essas prestadoras. Juntas, OpenAI, Thinking Machines Lab, Perplexity e Cognition já contrataram mais de US$ 140 bilhões em capacidade de processamento com a neocloud Crusoe. Para Jensen Huang, CEO da Nvidia, essas companhias têm um futuro brilhante pela frente. No entanto, vozes de peso como Elon Musk, que comanda a SpaceX, a Tesla e a xAI, alertam que muitas delas estão fadadas à falência no médio prazo.

Um investimento colossal exige um financiamento à altura

Nesse cenário, vale pontuar que nenhum dos dois lados age por pura filantropia. A Nvidia domina o mercado global de chips para treinamento e inferência de modelos de IA, colhendo lucros astronômicos vindos justamente dos laboratórios e dos operadores de data centers. Por outro lado, a xAI de Musk também transformou uma fatia de sua própria infraestrutura em um negócio de aluguel de processamento para clientes externos.

Para Jensen Huang, o aperto de liquidez enfrentado atualmente por parte dessas empresas é apenas temporário.

Mesmo assim, vale examinar os argumentos de cada líder para sustentar suas teses. Musk defende que as empresas focadas exclusivamente em alugar infraestrutura para treinar e rodar IA enfrentarão barreiras severas na hora de obter financiamento sustentável. Segundo o empresário, a SpaceX só conseguiu captar US$ 40 bilhões em dívida para comprar aceleradores de IA graças à sua sólida classificação de crédito e à diversificação de suas fontes de receita.

Do outro lado da mesa, o chefe da Nvidia discorda frontalmente. Huang assegura que a fome global, por poder computacional, continuará sustentando o modelo de negócios das neoclouds. Em sua visão, a busca incessante por capacidade de cálculo é tão avassaladora que acabará abrindo portas para novos mecanismos de financiamento no mercado de capitais.

Em 10 de agosto, a Nvidia anunciou um acordo com seis grandes instituições financeiras — incluindo gigantes como BlackRock, Goldman Sachs e Blackstone — com a meta de viabilizar mais de US$ 500 bilhões em capital de terceiros para erguer infraestrutura de IA. Se a iniciativa vingar, trará um alívio considerável; ainda assim, os mercados financeiros seguem cautelosos diante do risco de o endividamento massivo desse setor se tornar insustentável. O desfecho dessa aposta não deve demorar a aparecer: 2027 promete ser um divisor de águas definitivo para o setor.

Matéria traduzida de Xataka*

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