Se você quer ter uma velhice sem demência, converse com seu médico e repense agora o uso desses 4 remédios

Quatro remédios comuns que você pode estar usando hoje já foram associados a um risco maior de demência, e a ciência está de olho nos efeitos no cérebro

prateleira cheia de remedios
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Abrir o armário de remédios pode parecer um gesto banal, mas ele diz muito sobre a saúde do cérebro no longo prazo. Um levantamento recente publicado pelo The New York Times reuniu evidências de estudos científicos que apontam uma visão ambígua: enquanto alguns medicamentos ajudam a proteger o cérebro, outros podem estar associados a um aumento no risco de demência, inclusive de uso comum e vendidos sem receita.

A maior parte dessas pesquisas ainda é observacional, ou seja, não prova causa direta. Mesmo assim, especialistas já identificaram grupos de medicamentos que merecem atenção, principalmente quando usados com constância. Em comum, eles afetam funções cerebrais importantes, como memória, atenção e atividade neural

A seguir, veja quais são esses quatro tipos de remédios que a ciência orienta ter atenção.

Anti-histamínicos: usados para alergia e sono, esses remédios podem afetar o cérebro no longo prazo

Entre os medicamentos mais associados ao risco de demência estão os anticolinérgicos, um grupo que inclui muitos anti-histamínicos usados para alergia e até como indutores do sono. Esses remédios atuam bloqueando a acetilcolina, um neurotransmissor essencial para a memória e atenção. A curto prazo, isso já aparece como sonolência e lapsos de memória, mas a longo prazo, o impacto pode ser mais significativo.

Estudos sugerem que o uso contínuo por anos pode aumentar o risco de demência em até 50%, especialmente em pessoas mais velhas. O uso pontual não parece ter o mesmo efeito, mas ainda assim exige atenção. Uma alternativa são os anti-histamínicos de segunda geração, como o fexofenadina e a bilastina, que não interferem nesse neurotransmissor. 

Antipsicóticos: usados para transtornos mentais, esses remédios levantam dúvidas sobre impacto cognitivo

Medicamentos usados para tratar pacientes com esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos também aparecem na lista, mas a relação é um pouco mais complexa. Isso porque ainda não está claro o que vem primeiro: o uso do remédio ou a própria condição de saúde mental, que já pode estar ligada ao risco de demência ou até ser um sinal inicial da doença.

Mesmo assim, há evidências de que antipsicóticos podem estar associados a prejuízos cognitivos e até a um aumento no risco de morte em pacientes com demência. Apesar disso, especialistas afirmam que, quando esses medicamentos são necessários, eles devem ser usados. A atenção se deve ao uso indiscriminado, especialmente para controle comportamental em idosos.

Benzodiazepínicos: comuns para ansiedade e insônia, esses medicamentos podem afetar o cérebro com o tempo

Muito prescritos para ansiedade e distúrbios do sono, os benzodiazepínicos agem reduzindo a atividade cerebral, o que explica seu efeito calmante. O problema é que esse mesmo mecanismo pode estar ligado a efeitos negativos no longo prazo. O uso prolongado já foi associado a prejuízo cognitivo, maior risco de quedas e demência.

Por outro lado, há um detalhe importante: ansiedade e insônia, por si só, também aumentam o risco de declínio cognitivo. Ou seja, novamente é difícil definir a relação entre causa e efeito. Alguns estudos mais recentes tentaram isolar essa variável e não encontraram uma relação direta clara. Ainda assim, o recomendado é ter cautela, principalmente em idosos e em tratamentos prolongados.

Remédios para refluxo: amplamente usados, esses medicamentos ainda geram dúvidas sobre efeitos na memória

Os inibidores da bomba de prótons, medicamentos usados para tratar refluxo e problemas gástricos, também entraram na lista de “perigosos” para o cérebro, mas com resultados menos conclusivos. Alguns estudos encontraram associação com demência, enquanto outros não identificaram qualquer relação. Uma das hipóteses é que esses medicamentos possam causar deficiência de vitamina B12, o que afeta a função cognitiva. Outra dificuldade é metodológica: como muitos desses remédios são vendidos sem receita, fica mais difícil acompanhar o uso real nas pesquisas.


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