Quinze anos após a operação que matou Osama bin Laden, um dos militares que participaram da ação voltou a público com um relato. O ex-Navy SEAL Robert O’Neill afirmou que ainda carrega o peso da operação — e revelou que gostaria que o desfecho da missão tivesse sido diferente.
Em entrevistas recentes ao New York Post e participações no documentário American Manhunt: Osama bin Laden, o ex-militar expôs uma posição controversa: para ele, o corpo de bin Laden deveria ter sido exibido publicamente nos Estados Unidos.
Operação que matou Bin Laden e o arrependimento sobre o desfecho
A chamada Operação Neptune Spear foi realizada na noite de 1º de maio de 2011 por integrantes da elite da Marinha americana, o SEAL Team Six. O objetivo era capturar ou eliminar o líder da al-Qaeda, responsável por coordenar ataques que deixaram quase 3 mil mortos nos Estados Unidos.
Segundo O’Neill, a operação foi rápida — cerca de nove minutos — e terminou com a morte de bin Laden dentro de um quarto no complexo onde se escondia. O militar afirma que estava a menos de um metro do alvo quando atirou.
“Eu o reconheci na hora. Fiquei impressionado com o quanto ele era magro”, contou. “Nós atiramos duas vezes na cabeça imediatamente. Eu atirei nele duas vezes e atirei de novo com meu H&K 416. Ele caiu aos pés da cama”.
Apesar de considerar a missão um sucesso, o ex-SEAL afirma que carrega um arrependimento até hoje: o destino dado ao corpo do líder terrorista. Após a operação, o governo dos EUA decidiu realizar um sepultamento no mar, evitando a criação de um local físico que pudesse se tornar símbolo para extremistas.
O’Neill, no entanto, discorda. Ele afirma que gostaria que o corpo tivesse sido exposto publicamente em Nova York, como forma de demonstrar, de maneira certeira, que bin Laden havia sido morto.
Após os disparos, a equipe seguiu o protocolo, incluindo a identificação do corpo e a coleta de materiais no local, como computadores e documentos que poderiam revelar informações sobre a rede terrorista.
Planejamento sigiloso e risco de missão sem retorno
De acordo com o relato do ex-militar, a equipe só foi informada sobre a missão cerca de três semanas antes da execução. O nível de sigilo era tão alto que, inicialmente, os integrantes não sabiam qual era o alvo.
A dimensão da operação só foi revelada quando autoridades de alto escalão — incluindo o vice-presidente e o secretário de Defesa — participaram de uma reunião preparatória. A partir daí, os militares passaram a treinar intensivamente, simulando diferentes cenários possíveis dentro do complexo.
O risco era considerado extremo. Havia incerteza sobre a presença de combatentes armados, explosivos ou até o uso de familiares como escudo humano. Segundo O’Neill, todos sabiam que poderiam não voltar.
“Essa seria uma missão de ida”, afirmou. “Você não tem medo de morrer, mas está preparado para a morte.”
Motivação ligada às vítimas do 11 de setembro
O ex-SEAL descreve que a motivação da equipe estava diretamente ligada às vítimas dos ataques de 2001. Em entrevistas, ele citou episódios marcantes daquele dia, incluindo pessoas que morreram no World Trade Center e os passageiros do voo 93, que reagiram aos sequestradores antes da queda na Pensilvânia.
Impacto psicológico e mudança de vida
O’Neill relata que, logo após o disparo, houve uma reação de choque ao perceber a dimensão do que havia acontecido. Ainda assim, foi instruído a continuar a missão normalmente.
“Você acabou de matar Osama bin Laden, sua vida está prestes a mudar completamente, agora volte ao trabalho”, relembrou ter ouvido de um colega.
Exposição pública e críticas dentro da comunidade militar
Anos depois da operação, O’Neill decidiu tornar pública sua versão dos fatos, rompendo o anonimato mantido pelas forças especiais. A decisão gerou críticas dentro da própria comunidade militar.
Outro ex-SEAL, Matt Bissonnette, também afirmou ter participado diretamente da morte de bin Laden.
Veteranos e membros das forças especiais criticaram ambos, alegando quebra de um código informal de silêncio. Para esses críticos, operações desse tipo deveriam permanecer protegidas pelo anonimato coletivo.
Foto de capa: Reprodução/Internet
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