Esqueça os esportes tradicionais: Coreia do Sul, o país da privação do sono, aposta em competição atípica para descobrir quem consegue dormir melhor

Evento expõe rotina de exaustão em um dos países que menos dormem no mundo

Jovens Dormindo Em Parque
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Na Seul, a capital da Coreia do Sul, centenas de pessoas se reuniram em um parque às margens do rio Han, no dia 2 de maio, para participar de uma competição totalmente fora do comum: dormir. Organizado pelo governo local, o “Concurso de Soneca Revigorante” desafia participantes a alcançar o sono mais profundo possível no local, monitorado até por frequência cardíaca. Apesar do estranhamento, o concurso revela um problema muito mais sério, que é a dificuldade de uma população inteira em simplesmente descansar.

Concurso de cochilo na Coreia do Sul é reflexo de uma sociedade exausta

O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han já alertava, em seu livro “A Sociedade do Cansaço”, que a busca incessante por produtividade transformaria o indivíduo em seu próprio explorador. Hoje, 26 anos após a publicação do livro, a realidade parece não só persistir, como ter se intensificado, e hoje ganha formas concretas nas ruas de Seul, inclusive de maneiras inesperadas.

No início de maio, o governo da cidade reuniu centenas de participantes em um parque às margens do rio Han para a terceira edição do concurso de soneca revigorante. O objetivo é avaliar quem consegue atingir o sono mais profundo, com monitoramento de sinais como a frequência cardíaca, em um país marcado por rotinas intensas e privação crônica de sono.

Para participar, o competidor precisa seguir algumas regras: chegar cansado, de barriga cheia e, de preferência, vestido de acordo com a ocasião. Durante a prova, os participantes recebem máscaras de dormir enquanto equipes monitoram sinais vitais para avaliar a qualidade do sono.

Após o fim do concurso, o vencedor escolhido foi um homem na casa dos 80 anos. Esse detalhe chamou ainda mais atenção, já que boa parte da população jovem do país convive com rotinas intensas, jornadas longas e noites mal dormidas.

Como a Coreia do Sul se tornou um dos países que menos dorme no mundo

jovens dormindo Um dos países que menos dormem no mundo, a Coreia do Sul enfrenta uma rotina marcada por exaustão e privação crônica de sono.

O concurso pode parecer algo engraçado e curioso, mas por trás do tema, existe uma realidade bem mais complexa do que se imagina. A Coreia do Sul está entre os países com maior privação de sono entre membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), resultado direto de uma cultura marcada por alta competitividade e longas jornadas de trabalho.

O problema vem se intensificado ao longo dos anos, e isso não aconteceu por acaso. Em poucas décadas, o país passou de uma economia fragilizada para uma potência tecnológica global. Esse crescimento acelerado foi impulsionado por uma cultura de dedicação extrema ao trabalho, que hoje cobra seu preço. O resultado é um cotidiano que gira no limite, marcado por:

  • Jornadas que ultrapassam 12 horas diárias
  • Pressão constante por desempenho acadêmico e profissional
  • Dificuldade crescente de relaxar e desligar

Mas as consequências vão além do cansaço. Casos de insônia crônica são comuns no país, assim como o uso crescente de medicamentos para dormir, muitas vezes de forma excessiva. Em situações mais graves, a privação de sono se conecta a problemas de saúde mental, estresse e acidentes.


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