Centenas de espécies foram descobertas na exploração do Pacífico — mas o motivo das pesquisas é alarmante

Quase 800 espécies foram documentadas

Oceano Pacífico | Fonte: Unsplash/Robert Boston
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Enquanto o mundo busca minerais críticos para a transição energética, uma expedição científica sem precedentes revelou que o fundo do Oceano Pacífico abriga um ecossistema muito mais rico — e frágil — do que se imaginava. Um estudo internacional publicado na revista Nature Ecology and Evolution em 2 de fevereiro de 2026, documentou quase 800 espécies na Zona Clarion-Clipperton, sendo que centenas delas eram totalmente desconhecidas pela ciência até agora.

O esforço, que envolveu 160 dias no mar e cinco anos de análises laboratoriais, focou em entender como a futura mineração submarina poderá impactar essa fronteira final da Terra.

Revelações do fundo do mar profundo

A pesquisa ocorreu a quase 4.000 metros de profundidade, um ambiente de escuridão total e pressões esmagadoras, onde o alimento é escasso e a camada de sedimento cresce apenas um milímetro a cada mil anos.

  • Foram coletados mais de 4.300 animais. Entre as 788 espécies identificadas, destacam-se poliquetas (vermes marinhos), crustáceos, moluscos e até um novo coral solitário.
  • No Mar do Norte, uma amostra pode conter 20.000 animais. No Pacífico profundo, o mesmo volume de solo abriga o mesmo número de espécies, mas apenas cerca de 200 indivíduos, o que torna a recuperação de populações muito mais lenta.
  • Testes com equipamentos de mineração experimental mostraram uma redução de 37% no número de animais e de 32% na diversidade de espécies nas trilhas abertas pelas máquinas. Embora o impacto geral tenha sido menor do que o pior cenário temido, os danos locais são severos.

Dilema ético: metais críticos vs. conservação

A motivação do estudo é o interesse comercial em metais como cobalto e níquel, essenciais para baterias de carros elétricos. "Eles estão em falta, mas até agora ninguém havia demonstrado qual seria o impacto ambiental de extraí-los", explica o biólogo Thomas Dahlgren.

A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) usará esses dados para criar regulações. O grande desafio agora é entender se as espécies descobertas vivem apenas nas áreas de mineração ou se também habitam as zonas de proteção ambiental, que cobrem 30% da região e permanecem quase totalmente inexploradas.

Como a maioria das espécies nunca havia sido vista, os pesquisadores utilizaram dados moleculares (DNA) para catalogar os animais. Sem essa tecnologia, seria impossível distinguir entre seres visualmente parecidos, mas geneticamente distintos, que desempenham papéis ecológicos vitais em um dos ecossistemas mais antigos e estáveis do planeta.

A questão é que nós temos o histórico de destruir o meio-ambiente para a exploração de recursos. Será que atrapalharemos o habitat desses animais para a extração de metais ou conseguiremos encontrar um modo de não afetá-los?

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