A Copa do Mundo de 2026 começa hoje e traz mais do que apenas futebol: a maior operação de vigilância já vista em um evento esportivo

  • Espera-se que os esquemas de segurança nos jogos da Copa do Mundo, especialmente nos realizados nos EUA, sejam implacáveis;

  • Há preocupações de que o evento seja usado para normalizar a vigilância em massa

Espera-se que os esquemas de segurança nos jogos da Copa do Mundo, especialmente nos realizados nos EUA, sejam implacáveis. Há preocupações de que o evento seja usado para normalizar a vigilância em massa.
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Fabrício Mainenti

Redator

A Copa do Mundo de 2026, que começa hoje à noite, será o maior torneio de futebol da história: 48 seleções nacionais se enfrentarão em 104 partidas, distribuídas por 16 estádios nos Estados Unidos, Canadá e México, com mais de cinco milhões de torcedores nas arquibancadas. Será também um dos eventos esportivos mais monitorados de todos os tempos. Aqui está um panorama do aparato de segurança que será implantado nos estádios.

Uma Copa do Mundo sob escrutínio

O evento está sendo realizado em um contexto de elevado risco terrorista, alimentado pelo conflito entre os EUA e o Irã. Das mais de 100 partidas, 78 serão disputadas em onze cidades americanas, o que exerce uma pressão significativa sobre os recursos de segurança em todas as etapas, desde o transporte até os próprios estádios.

A Wired reporta que o governo Trump pode usar este evento para implantar um sistema de vigilância invasivo sem as devidas precauções. A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) emitiu um alerta de viagem para os participantes da Copa do Mundo, advertindo especificamente sobre a "repressão da liberdade de expressão e protesto e o aumento da vigilância".

Drones

Tanto os drones quanto, principalmente, os sistemas antidrone desempenharão um papel fundamental na segurança do evento. Os estádios serão zonas de exclusão aérea, mas outros locais de aglomeração poderão ser alvos de ataques com drones.

A Fortem Technologies foi novamente selecionada (ela também participou do Catar em 2022) para implantar sua tecnologia antidrone cinética em locais nos EUA. Contratos também foram assinados com a Sentrycs, que fornecerá sua tecnologia antidrone não intrusiva, e com a Axon, que implantará um conjunto completo de drones e sistemas antidrone em Dallas.

Reconhecimento facial

Este será outro dos principais sistemas de segurança empregados durante o evento, algo que já aconteceu durante a Copa do Mundo de 2022 no Catar, onde mais de 15.000 câmeras monitoraram os estádios. Nesta edição, os estádios de Boston, Miami e Atlanta integrarão reconhecimento facial com inteligência artificial para acesso e pagamentos, e o reconhecimento facial também será usado nos ônibus em Kansas City.

Cães-robôs

Além do reconhecimento facial nos próprios estádios, serão utilizados robôs-cães da Boston Dynamics equipados com câmeras capazes de detectar rostos. Esses robôs estarão presentes nos estádios de Dallas, Texas, e de Nova Jersey, onde será realizada a final, considerada um “evento nacional de segurança especial”. No México, no estádio de Monterrey, também está previsto o reforço da segurança com quatro robôs-cães.

Plataformas de comando

A Lenovo é a parceira tecnológica oficial da FIFA e anunciou que administrará a central de comando, que monitorará a movimentação da multidão e gerenciará os dispositivos utilizados por cada funcionário. Por outro lado, a Booz Allen Hamilton fornecerá sua plataforma de inteligência situacional em tempo real Sit(x).

E se não for temporário?

Em declarações à Wired, o analista de segurança da Electronic Frontier Foundation, Matthew Guariglia, alerta para o risco dessa tecnologia ser usada “para restringir as liberdades civis das pessoas e para o fato de que a infraestrutura de vigilância é justamente isso: infraestrutura”. Em outras palavras, ele teme que todas essas medidas supostamente temporárias acabem se tornando permanentes.

Além disso, existe a preocupação de que o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) aja contra a população migrante durante as partidas. O diretor da agência confirmou que o ICE terá um papel fundamental na segurança do evento, mas não esclareceu qual será sua função.

A militarização do esporte

Como mencionado, a Copa do Mundo anterior, no Catar, contou com um enorme contingente de segurança, mas o país também aproveitou o contexto para reforçar sua estratégia de segurança nacional, terceirizando parte dessa segurança para potências aliadas e usando o torneio como campo de testes para novas capacidades militares e policiais.

A Wired relata que não há muitas informações disponíveis sobre as empresas por trás de muitos dos contratos de segurança da Copa do Mundo, mas espera-se que eles acabem nas mãos de complexos industriais militares como Palantir, Anduril e Lockheed Martin. Organizações como a Privacy International temem que esses eventos sejam usados ​​para normalizar ferramentas de vigilância em massa.

Imagem de capa | Xataka com Gemini


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