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O check-in dos hotéis foi empurrado para as 15h depois da pandemia e ficou assim por um motivo: os hóspedes pagam para entrar mais cedo

Quem não quiser ficar esperando precisa pagar ou participar de um programa de fidelidade

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Você organiza suas férias, reserva um hotel e o aviso costuma ser sempre o mesmo: check-in a partir das 15h. Para quem viaja com muitas malas e chega cedo, isso pode causar mais de um transtorno — e os hotéis sabem muito bem disso. Tanto que estão lucrando com a situação.

Antes de 2020, era comum que o horário de entrada (check-in) fosse às 14h e o de saída (check-out) às 12h. Desde a reabertura dos hotéis após a pandemia, as redes vêm alterando esses horários para facilitar suas operações. Hoje, é comum encontrar hotéis em que o check-in só pode ser feito a partir das 15h, enquanto o check-out deve ocorrer às 11h ou ao meio-dia.

Existe uma justificativa razoável para essa mudança: como explica um porta-voz da Hotusa ao jornal El País, esses horários garantem que as equipes de limpeza tenham tempo suficiente para deixar os quartos impecáveis. As profissionais responsáveis por essa limpeza, chamadas de kellys, confirmam isso e esclarecem que essas quatro horas dão margem de manobra, já que a média é que cada funcionária limpe entre 20 e 30 quartos por dia. Isso é totalmente compreensível, mas o fato é que os hotéis também estão tirando proveito da situação.

"Early check-in" e "late check-out"

Embora nenhuma rede hoteleira reconheça isso explicitamente, uma porta-voz da Barceló admitiu que essa prática abre uma nova fonte de negócios. Nos últimos tempos, opções de "early check-in" e "late check-out" surgiram em várias redes hoteleiras, permitindo que os clientes entrem uma ou duas horas antes e saiam uma ou duas horas depois. Essas opções, é claro, têm um custo adicional, permitindo que os hotéis criem uma nova fonte de receita com a qual antes não contavam.

Outras redes oferecem esses horários ampliados aos participantes de seus programas de fidelidade. A Marriott permite que clientes do programa Gold Elite façam o check-out duas horas mais tarde, com um mínimo de 25 noites por ano. Os participantes do programa Platinum Elite precisam ter 50 noites anuais. Hyatt, Hotusa e Meliá fazem o mesmo. O padrão é idêntico em todos os casos: o acesso flexível aos horários não é um direito do hóspede, mas um privilégio do cliente fidelizado.

Os programas de pontos das redes hoteleiras funcionam com base em uma premissa inquietante: se você concentra todas as suas estadias em uma única marca de hotel, recupera serviços que antes eram padrão para qualquer cliente. Esses early check-in e late check-out são os exemplos mais claros, mas a lista inclui outros benefícios, como upgrades de quarto, cafés da manhã gratuitos, acesso a salas executivas e serviços adicionais de conectividade. O que antes era uma cortesia agora é uma recompensa pela sua fidelidade. Uma fidelidade que, por outro lado, você paga enquanto perde certa capacidade de escolha.

As redes consultadas no texto concordam com a mesma ideia: essas mudanças permitem melhorar a experiência do cliente frequente e, ao mesmo tempo, possibilitam uma gestão mais eficiente dos recursos. O que elas não dizem é que esse modelo tem um vencedor claro, que não é o viajante ocasional.

O turista que viaja duas semanas por ano, chega ao destino em um voo de madrugada e faz a reserva por meio de uma agência de turismo convencional está em desvantagem. Ele paga uma tarifa mais alta, não acumula pontos que podem ser trocados por benefícios e espera horas no saguão ou é obrigado a pagar uma taxa adicional.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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