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Japão não precisava de outro porta-aviões para dar o próximo passo, mas sua próxima investida militar começa com o Vietnã

Embora não seja algo assumido, a China é a preocupação dos dois países

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O Japão passou décadas avaliando cada movimento militar com uma cautela quase cirúrgica. Não por falta de indústria, tecnologia ou capacidade, mas pelo peso de sua história recente e pelas limitações políticas que moldaram sua defesa desde o pós-guerra. Por isso, quando Tóquio faz um movimento nesse campo, vale a pena olhar além da dimensão aparente da iniciativa. O que vemos agora indica a direção que o país asiático pretende seguir.

O movimento aparece em um comunicado do Ministério da Defesa do Japão após a reunião que o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, realizou dois dias antes com o general Phan Van Giang, vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa Nacional do Vietnã. Segundo Tóquio, ambos concordaram em iniciar conversas para definir novas formas de cooperação em equipamentos e tecnologia de defesa. O ponto mais relevante é a possibilidade de desenvolver e produzir conjuntamente embarcações rápidas de desembarque.

A expressão "embarcações rápidas de desembarque" pode parecer modesta quando comparada a submarinos, caças ou grandes navios de guerra, mas sua função é bastante específica: transportar tropas, veículos, equipamentos ou suprimentos até uma costa, uma ilha ou uma área de difícil acesso. Em um ambiente marítimo fragmentado, com arquipélagos, recifes e territórios onde a distância nem sempre é medida em quilômetros, mas na capacidade de chegar primeiro, essa mobilidade tem valor estratégico. Não se trata de uma arma impressionante, mas de uma ferramenta prática para operar em regiões onde o mapa se torna mais complexo.

Vietnã, um parceiro ideal

A escolha do Vietnã não é por acaso. Trata-se de um país cuja história recente foi marcada pela guerra com os EUA e que, desde a normalização das relações diplomáticas em 1995, elevou sua relação com Washington ao status de parceria estratégica abrangente. Ao mesmo tempo, evita se apresentar como integrante de um bloco militar. Essa combinação é justamente o que torna seu papel interessante para o Japão: Hanói precisa reforçar suas capacidades, diversificar seus parceiros e proteger seus interesses marítimos, mas sem ficar preso a uma aliança formal. Nesse equilíbrio, Tóquio surge como um parceiro útil, tecnologicamente avançado e politicamente menos controverso do que outros atores.

Essa posição se traduz de forma muito clara na doutrina de defesa vietnamita, conhecida como a política dos "quatro nãos". Hanói afirma que não participa de alianças militares, não se alinha com um país contra outro, não permite bases militares estrangeiras nem que outros países utilizem seu território contra terceiros e não recorre ao uso ou à ameaça do uso da força em suas relações internacionais. Trata-se de uma estratégia concebida para permitir a cooperação sem que o país fique subordinado a qualquer potência.

O comunicado japonês não menciona a China como destinatária direta da mensagem, mas situa a conversa em dois espaços muito específicos: o Mar da China Oriental e o Mar da China Meridional. Para Tóquio, o primeiro faz parte de suas principais preocupações de segurança; para Hanói, o segundo é o palco de algumas de suas maiores tensões marítimas. Por isso, os dois ministros destacaram a importância da liberdade de navegação e de sobrevoo, além do respeito ao direito internacional e à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

O Japão movimenta sua indústria

A possível cooperação com o Vietnã faz parte de uma transformação mais ampla: o Japão está tentando dar mais peso à sua base industrial de defesa, tanto dentro quanto fora do país. Isso pode ser visto na reforma de suas regras para a transferência de equipamentos militares, revisadas novamente em abril de 2026 para promover uma cooperação mais ampla em defesa com aliados e países parceiros, e também em projetos avançados que ainda estão em fase de pesquisa, como o canhão eletromagnético de trilhos. Em outras palavras, Tóquio está deixando de tratar sua indústria de defesa como uma questão exclusivamente doméstica.

O aspecto mais interessante é que nenhum dos dois países precisa apresentar essa iniciativa como uma ruptura para que ela tenha relevância. O Japão não abandona de forma repentina sua tradicional cautela e o Vietnã não assina uma aliança militar formal. O que se vê é uma fórmula muito mais discreta: cooperação industrial, tecnologia de defesa e capacidades navais em uma região onde cada pequeno movimento é interpretado sob uma perspectiva estratégica. Por isso, embarcações de desembarque podem parecer pouco significativas no papel, mas dizem muito sobre a direção que o Indo-Pacífico está tomando.

Imagens | Xataka com Nano Banana

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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