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O jato particular do emir do Catar é tão pesado que pista de cidade espanhola precisou ser inspecionada após o pouso para saber se houve danos

O Boeing 747-8 particular do emir do Catar pousou em Palma de Mallorca e acionou protocolos especiais que alteraram a operação do aeroporto

Avião do emir
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Palma de Mallorca vive todos os verões a mesma rotina. Milhões de turistas, filas no check-in e um calor intenso desde as primeiras horas do dia. Mas, no verão passado, houve um voo que chamou mais atenção do que qualquer outro.

Segundo a imprensa do Golfo Pérsico, o incidente não ocorreu por causa de uma pane ou de um pouso de emergência, mas simplesmente pelo fato de uma aeronave de tamanho colossal ter aterrissado no aeroporto da cidade. Um avião que, embora seu proprietário o considere "seu jato particular", é tão grande que obrigou a atrasar quase todo o tráfego aéreo local apenas para verificar se não havia deixado marcas no asfalto da pista.

O jato particular do emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, deixa sua marca em todos os aeroportos onde pousa. Não é por acaso: seu tamanho e peso colocam à prova a capacidade operacional das infraestruturas, a ponto de elevar a classificação de um aeroporto regional para a de um aeroporto com capacidade internacional, como já aconteceu com o pequeno aeródromo da Sardenha.

Dessa vez, o gigantesco jato particular pousou no aeroporto de Son Sant Joan, próximo a Palma de Mallorca, no início do verão passado. A associação espanhola de controladores de tráfego aéreo relatou o episódio em sua conta no X. Após o pouso, informou que "é realizada uma inspeção da pista para verificar se a aeronave deixou algum tipo de resíduo". Na prática, o que é inspecionado é se o asfalto da pista não sofreu danos após o impacto das cerca de 400 toneladas da aeronave durante o pouso.

Essa inspeção faz parte do protocolo obrigatório para aviões desse porte e mantém a pista utilizada fechada por vários minutos. Durante esse período, os controladores só podem usar uma das duas pistas do aeroporto e as taxiways próximas ficam desobstruídas enquanto esse gigante dos céus segue até a posição de estacionamento designada.

Um "jato particular" que precisa de metade do aeroporto só para ele

O Boeing 747-8 é a maior versão já fabricada do histórico Jumbo. Segundo dados da Boeing, sua envergadura chega a 68,4 metros e seu comprimento ultrapassa 76 metros. São dimensões típicas de um grande avião comercial, com capacidade para até 531 passageiros. Neste caso, porém, ele é utilizado exclusivamente como jato particular do emir do Catar e de sua numerosa comitiva, tornando-se, na prática, uma espécie de palácio presidencial voador.

Seu tamanho impressionante faz com que poucos aeroportos no mundo estejam preparados para receber aeronaves desse porte com normalidade. Palma, apesar de ser um dos aeroportos mais movimentados da Espanha durante o verão devido ao grande fluxo de voos internacionais, consegue fazê-lo, mas precisa adotar procedimentos especiais sempre que um desses gigantes aterrissa.

O 747-8 está classificado na categoria "Pesada", segundo a própria documentação da AENA. Essa categoria é destinada a aeronaves com mais de 136 toneladas. Isso obriga a aumentar a separação operacional em relação ao avião que vem atrás, para evitar a turbulência gerada por suas asas. Como consequência, o pouso da aeronave seguinte é atrasado, criando um efeito dominó sobre os demais voos e prejudicando a operação normal do aeroporto, que já fica sob forte pressão devido ao aumento do número de turistas durante o verão.

Outros voos precisam aguardar em solo ou no ar enquanto o gigante particular é acomodado na posição designada. Soma-se a isso a dificuldade logística provocada pela chegada desse tipo de aeronave, já que o número de posições de estacionamento capazes de receber um avião com esse peso é bastante limitado.

Estima-se que o valor do avião seja de cerca de 360 milhões de euros (R$ 2 bilhões). Ele abriga salões, escritórios e áreas de descanso com madeiras nobres e acabamentos em ouro, muito longe do que se encontraria na cabine de um voo comercial.

Imagem | Wikimedia Commons (Khamenei.ir, John Murphy)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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