A guerra do Irã tornou realidade um programa que havia sido abandonado: o canhão eletromagnético dos EUA

Uma corrida tecnológica em torno desse tipo de armamento está começando a ganhar forma

Canhão eletromagnético
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1771 publicaciones de Victor Bianchin

Um projétil pode ultrapassar Mach 6 sem necessidade de explosivos, sendo impulsionado apenas por eletricidade. Esse tipo de sistema elimina a pólvora tradicional e reduz drasticamente o custo por disparo, mas também exige quantidades de energia comparáveis ao consumo instantâneo de centenas de residências. Por isso, há décadas, várias nações tentam sair na frente com essa tecnologia.

Nos últimos tempos, quando se falava em “trilho” ou “eletromagnético”, todas as atenções se voltavam para os testes realizados pelo Japão. Agora, a Marinha dos Estados Unidos voltou a testar um canhão eletromagnético — e isso acontece anos depois de o programa ter sido oficialmente arquivado, em um movimento que reabre uma das apostas tecnológicas mais ambiciosas da última década.

O teste, realizado em White Sands Missile Range, demonstra que o sistema não apenas continua existindo, como também mantém certo grau de operacionalidade. E mais: o retorno não é casual e aponta para uma mudança de prioridades em um contexto em que velocidade e alcance voltam a ser fatores decisivos.

Ficção científica?

A ideia central é clara: os EUA reativaram uma arma que dispara projéteis por meio de energia eletromagnética em velocidades extremas — algo muito parecido com o que encontramos na literatura fantástica e na ficção científica.

Esse tipo de tecnologia, durante anos associado a protótipos futuristas, havia sido abandonado devido às suas dificuldades técnicas. Seja como for, seu reaparecimento indica que aquilo que antes era experimental volta a ser considerado uma opção real no campo de batalha.

O canhão eletromagnético oferece vantagens evidentes, como maior velocidade, maior alcance e um custo por disparo inferior ao dos mísseis tradicionais. No entanto, essas mesmas vantagens vêm acompanhadas de desafios muito concretos — o que explica por que a tecnologia foi deixada de lado anteriormente pelos EUA. Por exemplo, exige enormes quantidades de energia, sistemas de resfriamento complexos e sofre desgaste acelerado no cano, o que limita seu uso contínuo.

O ressurgimento dessa tecnologia não pode ser entendido sem o atual contexto de competição militar global e de um clima claramente bélico.

Os EUA buscam integrar esse tipo de canhão de trilho em futuros navios de grande porte, como uma possível nova classe de encouraçados planejada para a próxima década. Em paralelo, como já vinha sendo observado, países como Japão e até China também avançam em desenvolvimentos semelhantes, o que sugere que, desta vez, uma corrida tecnológica em torno desse tipo de armamento está realmente começando a ganhar forma.

De experimento esquecido a peça-chave

O que antes era um programa arquivado agora pode se tornar um elemento central da guerra naval em um futuro próximo.

Isso porque a simples capacidade de lançar projéteis hipersônicos, inclusive contra ameaças avançadas, daria um valor estratégico significativo a qualquer país capaz de superar os desafios técnicos do sistema. E, sobretudo, confirma uma tendência mais ampla: tecnologias que antes pareciam complexas demais ou prematuras estão voltando ao centro das atenções.

Imagem | USN

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio