A Argentina é o único país da América Latina que fabrica tanques e seu novo modelo já está em funcionamento

O TAM 2C-A2 já conta com um primeiro esquadrão operacional desde 2024

Tanque argentino
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1782 publicaciones de Victor Bianchin

Na América Latina, o desenvolvimento de tanques próprios tem sido mais a exceção do que a regra. A maioria dos países historicamente optou por importar plataformas já consolidadas, o que deixa em segundo plano qualquer tentativa de construir uma indústria blindada local. Nesse contexto, a Argentina ocupa um lugar singular: não apenas projetou seu próprio carro de combate, o Tanque Argentino Médio (TAM), como também conseguiu produzi-lo e incorporá-lo ao seu Exército. Décadas depois, esse mesmo sistema segue em serviço e, AGORA, atravessa uma nova etapa de modernização.

O Tanque Argentino Médio surgiu no final da década de 1970 como resposta à necessidade de contar com um sistema próprio que estivesse à altura dos padrões internacionais da época. Seu design representou, naquele momento, um salto para o Exército, alinhado aos meios utilizados por outras forças militares. Com o passar do tempo e a evolução tecnológica, esse ponto de partida ficou defasado, o que impulsionou o desenvolvimento da versão 2C-A2, apresentada em maio de 2023, para adaptá-lo às exigências do combate atual.

O salto para o padrão 2C-A2 não se limita a uma atualização superficial, mas responde a uma revisão profunda do sistema. O processo incluiu melhorias na torre, no canhão, na visão noturna e nos sistemas computadorizados de controle de tiro, com o objetivo de aumentar a precisão e a eficácia em combate. A isso se soma a incorporação de tecnologia que permite operar em condições adversas, como fumaça, neblina ou cenários noturnos, junto com trabalhos no chassi para manter a coerência do conjunto.

A versão modernizada mantém a base do veículo, mas incorpora melhorias relevantes em seu desempenho e sistemas. De acordo com a ficha da Expo Ejército, conta com um motor a diesel de 720 cavalos de potência, capaz de alcançar 75 km/h e uma autonomia de 550 quilômetros. Seu armamento principal continua sendo um canhão de 105 mm, acompanhado por uma metralhadora FN MAG de 7,62 mm, com uma tripulação de quatro membros.

Tanque1

O primeiro esquadrão completo

Em 20 de dezembro de 2024, foram entregues as primeiras 10 unidades do TAM modernizadas ao padrão 2C-A2. Segundo o governo argentino, esses veículos foram alocados em instalações do Exército em Boulogne, na província de Buenos Aires, o que permitiu completar o primeiro esquadrão equipado com essa versão. Com esse passo, o sistema deixou de ser apenas um projeto em desenvolvimento para se tornar uma capacidade operacional dentro da força. Por enquanto, esta é a única entrega confirmada oficialmente.

Tanque2

Além desse marco, as fontes mais recentes apontam para uma fase de continuidade do programa ao longo de 2026. Segundo o site Zona Militar, o Exército Argentino mantém o TAM 2C-A2 como uma de suas principais linhas de modernização, com trabalhos em andamento e planejamento para sustentar o ritmo de avanço. Não se trata de novos anúncios, mas de consolidar o que já foi iniciado. Entre os elementos que definem essa etapa, destacam-se:

  • O programa continua em desenvolvimento e conta com orçamento alocado, segundo indicou o diretor da Direção Geral de Material em março de 2026
  • Já existe um esquadrão completo operacional e trabalha-se para completar um segundo
  • A modernização combina a atualização da torre com a recuperação do chassi
  • Projeta-se estender a vida útil do sistema entre 20 e 30 anos
  • A abordagem se baseia em “núcleos de modernidade” que depois podem ser ampliados progressivamente

O programa não se limita a atualizar o veículo, mas envolve um trabalho mais amplo em termos de sustentação e autonomia. Segundo uma entrevista citada pelo Zona Militar, um dos objetivos é dominar todo o ciclo logístico e de manutenção, reduzindo a dependência externa. Isso inclui trabalhos em instalações do próprio Exército, onde são realizadas tanto as modernizações quanto o suporte posterior.

Tanque3

Outros projetos

O caso argentino não é a única tentativa na região, mas é um dos poucos que chegaram até o fim. O Brasil, por exemplo, desenvolveu o EE-T1 Osório por meio da empresa Engesa, um carro de combate que se destacou em testes e chegou a competir com modelos ocidentais. No entanto, o projeto não conseguiu avançar para a produção em massa e acabou sendo cancelado. Essa diferença é fundamental para entender o cenário regional: não basta projetar um tanque — o verdadeiro ponto de inflexão está em conseguir produzi-lo em série e integrá-lo a uma força operacional.

Em um contexto em que poucos países conseguiram sustentar projetos próprios desse tipo, manter um sistema em serviço e levá-lo a uma nova fase de modernização representa uma diferença clara. O TAM 2C-A2 não é apenas uma atualização técnica, mas a continuidade de um projeto industrial e militar que conseguiu se manter operacional por décadas — algo pouco comum na região.

Imagens | Exército Argentino

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio