Os astrônomos têm absoluta certeza de que existe vida extraterrestre — mas vamos demorar 1.500 anos para encontrá-la

Em vez de apenas procurar sinais de rádio, cientistas querem diversificar métodos de busca

Vida extraterrestre
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1992 publicaciones de Victor Bianchin

Já estamos há quase um século enviando sinais para o cosmos por meio de transmissões de rádio de alta potência e também com radares militares espalhados pelo planeta. Pouco a pouco, a humanidade foi criando uma “bolha” eletromagnética que se expande na velocidade da luz, mas, para o azar de alguns, ainda não recebemos uma resposta para todos esses sinais — desse jeito, fica fácil pensar que não há outros seres vivos no Universo além de nós.

A questão aqui não é se entraremos em contato com inteligência extraterrestre, mas quando. E nisso a comunidade científica é bastante otimista, já que a comunidade astronômica não se baseia em avistamentos de OVNIs, mas em pura estatística. Instituições como a SETI Institute estão há décadas escaneando o céu e, embora ainda não haja evidências de interferência ou sinais de origem artificial, a convicção de que não estamos sozinhos é mais forte do que nunca.

Para entender por que os cientistas têm tanta certeza disso, primeiro é preciso olhar para a escala do problema na nossa Via Láctea, que possui 100 mil anos-luz de diâmetro. Esse número monstruoso contrasta com nossa bolha de rádio, que mal alcança 100 anos-luz — então, em escala galáctica, ainda nem atravessamos a rua.

É aqui que entra em cena o famoso Paradoxo de Fermi, que aponta que, se o universo é tão vasto e antigo, deveria haver alguém por aí, e foi por isso que a pergunta feita por esse pesquisador entrou para a história: “onde está todo mundo?”.

A resposta mais apoiada pela astrobiologia moderna se baseia no “Princípio da Mediocridade”, um conceito astronômico que sustenta que a Terra não tem nada de especial e aponta que, se a vida surgiu aqui sob certas condições físicas e químicas, é estatisticamente inevitável que ela também tenha surgido em uma fração dos bilhões de exoplanetas que orbitam zonas habitáveis da nossa galáxia.

As pesquisas continuam

Em 2016, um influente estudo da Cornell University colocou números nesse paradoxo. Para isso, cruzou a Equação de Drake com a expansão da nossa bolha de rádio, com o objetivo de calcular quanto nossa transmissão precisaria viajar para alcançar um número suficiente de estrelas que garantisse, por pura probabilidade estatística, uma resposta.

O resultado chegou a um número que se tornou uma referência recorrente na divulgação espacial: o contato não deveria ser esperado antes de cerca de 1.500 anos. Segundo esse modelo matemático, para que nossos sinais cheguem aos ouvidos extraterrestres, precisaríamos alcançar pelo menos metade da galáxia. Até lá, parecerá que estamos sozinhos, mesmo que o universo esteja repleto de vida.

Enquanto o relógio dos 1.500 anos continua correndo, os cientistas não ficam de braços cruzados — é por isso que temos iniciativas como a do SETI Institute, que não busca apenas ouvir algo, mas entender como deveríamos ouvir. Durante décadas, a busca por vida se concentrou em frequências de rádio muito específicas, com destaque para a famosa linha de emissão do hidrogênio de 1420 MHz, partindo da suposição de que qualquer civilização avançada usaria essa frequência universal para se comunicar. Mas... e se não for assim?

Novas abordagens apostam em diversificar a busca para métodos mais amplos. Em vez de procurar apenas ondas de rádio, a idéia é detectar a poluição eletromagnética de outras civilizações, o uso de lasers ópticos para comunicação interplanetária e até buscar sinais de rádio de baixa frequência que, até agora, tinham sido ignoradas ou descartadas devido à interferência terrestre.

Imagens | Graham Holtshausen (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio