Marte é o resultado de uma violência geológica única no Sistema Solar: esta foto da NASA é a prova

Fotos das sondas Viking da NASA já mostravam cinzas em Marte, mas não em quantidade tão grande quanto agora

Imagens | ESA
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Fabrício Mainenti

Redator

As mudanças perceptíveis na paisagem marciana são muito lentas. Estima-se que possam levar milhões de anos para ocorrer, já que o planeta é considerado bastante estático nesse aspecto. No entanto, cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) detectaram uma mudança que ocorreu muito mais rapidamente — tão rapidamente que humanos da mesma geração já a perceberam.

Da Viking à Mars Express

A Câmera Estereoscópica de Alta Resolução (HRSC) da Mars Express capturou imagens que chamaram a atenção dos cientistas da ESA encarregados de analisá-las. Essas imagens mostram uma grande área coberta por cinzas.

Essas cinzas já estavam presentes em outras fotos tiradas pelas sondas Viking da NASA em 1976. No entanto, a quantidade era muito menor naquela época. É surpreendente o quanto elas se proliferaram em apenas 50 anos.

Origem vulcânica

A origem dessas cinzas é bastante clara. Sabe-se que o material vulcânico é rico em minerais máficos, que se formam em altas temperaturas. Olivina e piroxênio são dois bons exemplos. Esses minerais têm uma aparência escura, muito semelhante à das cinzas vistas nas fotos.

Portanto, deve ter origem vulcânica. Além disso, Marte é caracterizado por significativa atividade vulcânica e abriga o maior vulcão do Sistema Solar: o Olympic Mons. Todas as pistas apontam para uma origem vulcânica.

O vento espalhou ou descobriu as cinzas

O que não está tão claro é como tanta cinza apareceu em tão pouco tempo. Pesquisadores da ESA acreditam que isso se deve ao vento. Os ventos marcianos podem tê-las movido, espalhando-as por uma área maior, ou descoberto-as. Talvez elas já estivessem lá, mas o vento moveu a poeira ocre característica da superfície marciana que as cobria.

Imagens | ESA

Uma cratera em meio às cinzas

Um aspecto curioso da foto é que ela mostra muitos sinais das mudanças que a superfície marciana sofreu ao longo do tempo. Por um lado, vemos as cinzas mencionadas anteriormente. E, por outro lado, a cratera de 15 quilômetros de diâmetro que aparece na foto entre elas.

Esta é circundada por um impressionante anel de material aparentemente mais claro, conhecido como "cobertor de ejeção". É uma estrutura formada pelo material expelido pelo impacto que criou a própria cratera. A foto também mostra linhas onduladas dentro da cratera, que marcam a dispersão do material gelado existente sob Marte.

Mudanças e mais mudanças

Esta fotografia, localizada em uma bacia de impacto chamada Utopia Planitia, é uma imagem vívida de como a superfície marciana foi modificada por impactos, vulcões e gelo tentando escapar por fissuras. Agora, pelo menos, sabemos que nem todas essas mudanças são tão lentas quanto pensávamos. Algumas acontecem num piscar de olhos.

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