A nova solução para construir casas em Marte: tijolos feitos de urina

O plano para construir em Marte sem trazer materiais da Terra

Tijolos em Marte
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A humanidade tem como objetivo chegar a Marte e, eventualmente, estabelecer uma colônia por lá. Missões como o rover Curiosity, da NASA, passaram anos examinando a superfície do planeta em busca de sinais de habitabilidade passada (com descobertas promissoras que ainda deixam grandes incógnitas), e o programa Artemis II é o trampolim tecnológico rumo à primeira missão tripulada a Marte.

Mais cedo ou mais tarde, chegará o dia em que a humanidade pisará em Marte e criará (ou adaptará) as condições para habitá-lo. Então, surgirá a próxima questão: como construir uma casa lá? Não se trata tanto de design, mas de sobrevivência. Uma equipe de pesquisa já está trabalhando nisso e acredita ter encontrado a solução, publicada na revista Frontiers in Microbiology.

A proposta dos pesquisadores do Politecnico di Milano, da Universidade da Flórida Central e da Universidade de Jiangsu consiste em usar duas bactérias que trabalham em conjunto: uma é capaz de sobreviver em condições extremas e produzir oxigênio, enquanto a outra transforma urina humana em pedra. Esse duo promissor é capaz de fabricar tijolos diretamente do solo marciano, sem necessidade de fornos, fábricas ou transporte de materiais da Terra.

Do ponto de vista da engenharia, transportar materiais e maquinário a longas distâncias (tão longas quanto ir até Marte) é tecnicamente inviável devido ao custo. Além disso, usar os materiais nativos de Marte para construir ainda não é uma opção.

Assim, esse conceito resolve esses dois problemas e alguns outros, como o consumo de energia. Segundo o artigo, a biocimentação consome até 7 vezes menos energia do que fundir o solo com micro-ondas e quase 50 vezes menos do que a sinterização térmica. Por fim, há também a conveniência: o método transforma resíduos metabólicos humanos em material de construção, resolvendo o problema logístico do que fazer com esses dejetos.

A biocimentação (precipitação de carbonato de cálcio induzida microbiologicamente) vem sendo estudada há duas décadas para aplicações como estabilização de solos, combate à desertificação e construção com menor emissão de dióxido de carbono. Essa pesquisa leva esse conhecimento ao espaço e também tem aplicações na Terra, como construção mais sustentável, recuperação de solos e concreto autorreparável.

As limitações da proposta

O experimento ainda não foi testado na prática. O estudo é de perspectiva, revisando o conhecimento existente sobre essa técnica para propor um conceito, analisando o regolito marciano com base em dados de missões robóticas.

A partir daí, e após identificar o déficit de óxido de cálcio em relação ao cimento terrestre, os pesquisadores estudaram quais rotas biológicas poderiam compensá-lo. Foi assim que surgiu a proposta, com a combinação de Chroococcidiopsis + Sporosarcina pasteurii como a mais promissora, acompanhada de um projeto conceitual de biorreator e de um bico de impressão 3D funcionando junto a robôs autônomos.

O ponto anterior deixa claro o primeiro obstáculo: essa combinação de bactérias nunca foi testada, nem em Marte nem em laboratório. E, em Marte, o cenário é complicado: a gravidade reduzida enfraquece a microestrutura do material resultante (ao menos no caso do cimento convencional) e os percloratos do solo marciano são tóxicos para os organismos.

Como se não bastasse, a faixa de temperatura em que as bactérias podem operar é estreita. Além disso, a água necessária pode não ser adequada. Também não há dados sobre a estabilidade desse cultivo a longo prazo. Em termos de maturidade tecnológica, esse projeto ainda está em um estágio muito inicial: é um conceito no papel, financiado, mas com um longo caminho pela frente.

Imagem | Lluvia Morales e Planet Volumes (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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