O trabalho freelancer avança no Brasil impulsionado pelo desemprego — pesquisa revela que metade atua por necessidade e 74% enfrentam instabilidade

Levantamento mostra que muitos profissionais entraram no modelo freelancer ou PJ por falta de alternativas no mercado formal; imprevisibilidade financeira segue como principal desafio

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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

Com empresas cada vez mais abertas a modelos flexíveis de contratação e profissionais buscando novas formas de geração de renda, o trabalho freelancer e o regime de Pessoa Jurídica (PJ) ganharam espaço dentro mercado de trabalho brasileiro. No entanto, uma nova pesquisa indica que essa mudança nem sempre acontece por escolha.

Levantamento realizado pela HUG, empresa especializada em curadoria, alocação e desenvolvimento de profissionais de comunicação e marketing, mostra que boa parte dos trabalhadores ingressou no universo freelancer por necessidade, muitas vezes como resposta a dificuldades de recolocação ou à falta de oportunidades no mercado formal.

Metade dos freelancers começou por necessidade

Segundo a pesquisa, 50% dos entrevistados afirmam que ingressaram no modelo freelancer ou PJ por necessidade e continuam atuando dessa forma atualmente.

Outros 20,4% também entraram no mercado independente por necessidade, mas dizem que hoje permanecem nesse formato por escolha. Apenas uma parcela menor relatou ter planejado a migração para o trabalho autônomo desde o início da carreira.

O resultado sugere que, embora a flexibilidade e a autonomia sejam frequentemente associadas ao trabalho freelancer, a realidade de muitos profissionais começou com uma adaptação forçada às condições do mercado.

Para Gustavo Loureiro Gomes, fundador e CEO da HUG, o crescimento do modelo exige uma estrutura mais sólida tanto para empresas quanto para trabalhadores.

“Existe uma mudança importante acontecendo no mercado de trabalho, mas ela precisa ser acompanhada de estrutura. Muitos profissionais entraram no modelo PJ em busca de liberdade, mas encontraram insegurança”, afirma.
Annie Spratt G9kfpafq5bc Unsplash Trabalhos freelancer ou PJ se tornaram alternativas à dificuldade de inserção no mercado formal. Foto: Unsplash

Profissionais acumulam anos de experiência no modelo

Apesar das dificuldades, o levantamento mostra que boa parte dos entrevistados já possui experiência consolidada como freelancer ou PJ. Os números indicam que o trabalho sob demanda deixou de ser apenas uma atividade temporária para muitos profissionais e passou a representar uma forma permanente de inserção no mercado.

Entre os participantes da pesquisa, 33,3% atuam nesse formato há quatro a sete anos. Outros 27,8% trabalham de forma independente entre um e três anos. Já 18,5% estão há menos de um ano no modelo, enquanto 16,7% acumulam entre oito e 15 anos de atuação. Um grupo menor, de 3,7%, trabalha como freelancer há mais de 15 anos.

Instabilidade financeira lidera lista de preocupações

A principal dificuldade relatada pelos entrevistados continua sendo a imprevisibilidade da renda: segundo o levantamento, 74,1% dos profissionais apontam a instabilidade financeira como o maior desafio da carreira freelancer. 

Em seguida aparece a dificuldade para conquistar novos projetos e clientes, citada por 59,3% dos participantes. Outro problema recorrente envolve a negociação de remuneração. Metade dos profissionais diz enfrentar dificuldades para definir valores considerados justos pelos serviços prestados.

A ausência de benefícios tradicionais também pesa. Mais da metade dos entrevistados (55,6%) afirma sentir falta de garantias como plano de saúde, previdência privada, férias remuneradas e outros benefícios normalmente associados ao emprego formal.

Windows Myomvppr5fu Unsplash Falta de benefícios e instabilidade financeira preocupa trabalhadores. Foto: Unsplash

Renda ficou estável para a maioria

Mesmo diante dos desafios, os dados mostram um cenário relativamente equilibrado em relação à renda dos últimos 12 meses. 

Entre os entrevistados, 46,3% afirmaram que seus ganhos permaneceram estáveis no período. Outros 20,4% registraram aumento da renda. Isso significa que dois terços dos profissionais consultados mantiveram ou ampliaram seus rendimentos ao longo do último ano.

Por outro lado, 33,3% relataram redução nos ganhos. Desse grupo, 22,2% afirmam ter sofrido queda superior a 20%, enquanto 11,1% registraram retração de até 20%.

Especialistas apontam que mercado busca amadurecimento

Para especialistas, o crescimento do trabalho freelancer não deve ser encarado apenas como uma alternativa temporária ao emprego tradicional. A tendência é que o modelo continue ganhando espaço em setores que demandam profissionais especializados e projetos de curta ou média duração.

“A contratação freelancer ou PJ não pode ser sinônimo de informalidade ou improviso. Quando bem estruturado, esse modelo permite que empresas acessem especialistas com mais velocidade e que profissionais tenham acesso a projetos mais qualificados”, afirma Gustavo Loureiro Gomes.

Foto de capa: Unsplash

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