Na Segunda Guerra Mundial, um vilarejo da Lituânia enterrou seu sino para protegê-lo dos nazistas. Ele só foi encontrado em 2024

Objeto sobreviveu à guerra, à ocupação e ao esquecimento. Quem o encontrou foi um agricultor com um detector de metais

Sino de Antašava
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

2019 publicaciones de Victor Bianchin

Numa manhã de agosto de 2024, Laurynas Družas voltou a percorrer os arredores de seu vilarejo, Antašava, no norte da Lituânia, com seu detector de metais. Mas, dessa vez, ele teve sorte: encontrou algo sobre o qual havia ouvido falar durante toda a vida. Lá estava ele, a dois metros de profundidade: o sino da igreja de seu vilarejo. 

O campanário da igreja de São Jacinto estava sem sino desde 1942, porque alguém o havia escondido para protegê-lo durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1942, a Lituânia estava ocupada pelos nazistas dentro do Reichskommissariat Ostland (regime civil de ocupação dos países bálticos). No ano anterior, os EUA haviam entrado na guerra e a Alemanha havia fracassado em sua tentativa de conquistar o leste na Operação Barbarossa. Foi nesse contexto que o sino de São Jacinto de Antašava desapareceu.

Družas conta que os moradores do vilarejo arriscaram a própria vida para escondê-lo dos ocupantes. Vale lembrar que o Partido Nazista havia emitido um decreto para confiscar sinos e fundi-los para fins bélicos. E vale destacar que, naquela época, não havia tratores: os moradores fizeram tudo com um cavalo, uma carroça e força bruta.

Foi um verdadeiro ato de resistência e de proteção do patrimônio, além de uma missão extremamente perigosa: esconder um sino que pesa mais de meia tonelada sem que os ocupantes nazistas percebessem.

O sino virou uma lenda. E o tempo passou: Antašava se livrou dos nazistas, a Lituânia deixou de fazer parte da URSS para se tornar independente em 1990 e o sino continuava desaparecido. O problema é que, com o passar dos anos, aqueles que sabiam onde ele havia sido enterrado foram esquecendo o local exato: a paisagem muda, os arbustos crescem e a memória se apaga.

Mas os moradores sabiam que havia existido um sino no campanário e que ele havia sido escondido — a história foi transmitida de geração em geração. A avó de Laurynas tinha uma ideia aproximada de onde ele estava porque, quando era criança, um tio lhe indicou a região.

Ela acabou esquecendo a localização exata, mas não a ideia de encontrá-lo. Essa “obsessão” foi transmitida ao neto que, 82 anos depois, finalmente achou o sino.

Um sino com 100 anos de história

O sino da igreja de Antašava foi fundido na Polônia em 1908 em uma fundição que, segundo confirmou o “campanólogo” polonês doutor Piotr Jamski, continua em atividade até hoje, embora sob o comando de uma família diferente da original.

Após 82 anos enterrado, seu estado de conservação era quase perfeito. Nem o sino nem a estrutura de madeira apresentavam sinais significativos de deterioração, segundo descreveu o próprio Laurynas Družas após a descoberta. Faltava apenas o badalo, que, segundo a tradição oral, foi removido na mesma noite em que o sino foi enterrado e guardado separadamente em uma casa do vilarejo, embora ainda não tenha sido encontrado.

Quando a descoberta veio à tona, especialistas em patrimônio histórico se encarregaram de verificar sua autenticidade e origem.

Em agosto de 2025, um ano após a descoberta, o sino voltou para casa, à igreja de São Jacinto. Técnicos poloneses instalaram o sistema para fazê-lo tocar ao lado do outro sino que já estava no campanário. Vidmantas Družas, tio de Laurynas e sineiro da igreja, conta que os dois sinos agora estão conectados e podem tocar com o simples acionamento de um botão.

Imagem | Autorius Vilensija e Vadym Alyekseyenko

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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