Invasão dos baiacus: a temperatura do mar no noroeste da Espanha está subindo tanto que essa espécie tropical começou a aparecer por lá

O surgimento dos baiacus marca uma mudança na biodiversidade que não era esperada

Baiacu
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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As frias águas atlânticas das Rías Baixas, na Galícia (comunidade autônoma no noroeste da Espanha), estão mudando. Por lá, estávamos acostumados a uma rica biodiversidade marinha dominada por espécies nativas de águas temperadas e frias. Mas, agora, os pesquisadores estão encontrando visitantes exóticos: os baiacus.

Embora essa descoberta possa parecer uma anedota biológica para enriquecer enciclopédias, a verdade é que estamos diante de um indicativo de que a “tropicalização” desses mares está batendo à porta. Isso foi evidenciado pela equipe de pesquisadores do Centro Oceanográfico de Vigo, que soou o alerta ao documentar a presença desses peixes exóticos.

O estudo, publicado na revista Fisher, é pioneiro ao analisar pela primeira vez, de forma global, a diversidade de peixes da ordem dos Tetraodontiformes — que inclui os baiacus, os peixes-lua e os peixes-porco — em águas espanholas. No total, foram catalogadas 26 espécies diferentes, com especial atenção às suas áreas de distribuição entre a Península Ibérica e as Ilhas Canárias.

Mas a grande surpresa aconteceu na Galícia, com dois avistamentos inéditos que foram rigorosamente confirmados por meio de análises morfológicas, fotografias e também do próprio DNA.

As duas espécies

A primeira que chamou a atenção foi um tamboril-verde, capturado pela primeira vez em águas galegas, na Costa da Vela, em 2021. O segundo exemplar é um tamboril-de-terra, localizado em 2025, em plena ria de Pontevedra (uma ria é um vale de rio que foi inundado pelo mar).

Aqui, a pergunta quase inevitável é: o que um baiacu está fazendo nadando tranquilamente pela ria de Pontevedra? A resposta curta é a mudança climática. A resposta longa e científica é a tropicalização do mar.

Como aponta o pesquisador Rafael Bañón, o aquecimento progressivo das águas oceânicas está apagando as fronteiras térmicas marinhas, o que permite que espécies originárias de águas tropicais e subtropicais encontrem agora no Atlântico galego temperaturas suficientemente confortáveis não apenas para sobreviver, mas também para expandir seu território.

Além do desafio ecológico que representam e do deslocamento de espécies locais, também é preciso lembrar o risco à saúde pública que envolvem. Uma das características mais conhecidas dos baiacus, especialmente por causa da gastronomia japonesa e seu famoso fugu, é que eles contêm tetrodotoxina em seu organismo. Trata-se de uma potente neurotoxina para a qual não existe antídoto conhecido e que pode ser letal se ingerida.

Embora na Espanha não exista uma cultura de consumo desses peixes, há o risco de que pescadores amadores ou comerciais os capturem por acidente e que eles acabem indo parar no prato de alguém sem o devido cuidado. Por isso, é necessário monitorar essas novas espécies e outras que podem chegar devido às mudanças de temperatura registradas.

Imagens | Brian Yurasits, WINDENRIC

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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