Inesperado e incrível: brasileira descobre em veneno de marimbondo a 'arma' secreta que pode travar o Alzheimer

Estudo brasileiro identifica peptídeo capaz de interferir no avanço da doença, com possibilidade futura de aplicação por spray nasal

Marimbondo na flor. Créditos: ShutterStock
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) identificaram no veneno de um marimbondo brasileiro uma substância com potencial para desacelerar o avanço do Alzheimer. A descoberta envolve um peptídeo chamado Octovespina, capaz de interferir diretamente no acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro, um dos principais mecanismos associados à doença. O estudo, ainda em fase experimental, foi conduzido por equipes da UnB com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Embora não seja uma cura para a doença, o composto pode ajudar em novas terapias voltadas às fases iniciais da demência.

Veneno de marimbondo levou à descoberta da Octovespina

O marimbondo é um inseto comum no Brasil, conhecido pelas ferroadas doloridas e pelo comportamento defensivo. Pertencente ao grupo das vespas sociais, ele utiliza seu veneno não apenas como mecanismo de ataque, mas como uma ferramenta altamente especializada para imobilizar presas sem destruir o sistema nervoso. Foi essa característica biológica acabou despertando o interesse de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB).

A partir da análise desse veneno, os cientistas buscaram entender quais substâncias eram capazes de interferir de forma seletiva na comunicação entre neurônios. Após anos de estudo, o grupo conseguiu isolar um peptídeo que deu origem à Octovespina. Em testes de laboratório e em modelos animais, a substância demonstrou capacidade de reduzir o acúmulo da proteína beta-amiloide, além de proteger os neurônios e diminuir processos inflamatórios no cérebro. Em camundongos, os resultados indicaram menor perda de memória, especialmente quando o composto é administrado nas fases iniciais da doença.

Composto do veneno de marimbondo pode virar spray nasal contra o Alzheimer, mas ainda exige anos de estudos

Um dos pontos que mais chama atenção no estudo é a possibilidade de administração da Octovespina por meio de spray nasal. Essa estratégia incmum permitiria levar a substância diretamente ao cérebro, alcançando regiões ligadas à memória e à cognição com maior eficiência e, potencialmente, menos efeitos colaterais do que tratamentos convencionais.

Apesar do sucesso dos testes em camundongos, os pesquisadores reforçam que o caminho até um medicamento disponível para uso humano ainda é longo. Os estudos seguem em fase experimental, e as próximas etapas envolvem testes rígidos de segurança e eficácia. Segundo a equipe, podem ser necessários cerca de dez anos até que compostos derivados do veneno do marimbondo avancem para fases mais avançadas da pesquisa clínica.



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