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Em 1962, um homem comprou uma ilha deserta, plantou 16.000 árvores e a transformou em um santuário antirricos

Jornalista recuperou a fauna e a flora originais e se recusou a vender o lugar

Brendon Grimshaw
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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A ideia de largar tudo para se instalar em uma ilha deserta já passou pela cabeça de qualquer pessoa depois de uma semana de trabalho pesada demais. Mas transformar isso em realidade é outra história. Em 1962, Brendon Grimshaw deu esse passo ao desembolsar 8.000 libras esterlinas para adquirir a pequena ilha de Moyenne, nas ilhas Seychelles. Essa quantia representava, na época, o suficiente para comprar três casas na Inglaterra, mas Grimshaw não tinha nenhuma intenção de especular no mercado imobiliário. Seu projeto era muito maior: devolver à natureza os seus direitos.

Nada na história desse jornalista britânico apontava que ele viria a se tornar o guardião de um paraíso terrestre. Depois de iniciar a carreira na imprensa regional inglesa, especificamente no Batley News, ele se mudou para a África para trabalhar em veículos de comunicação prestigiados, como o East African Standard. Foi durante férias nas Seychelles, aos 37 anos, que Grimshaw tomou uma decisão radical: comprar aquele pedaço de terra de nove hectares para transformá-lo no projeto de sua vida.

Grimshaw continuou exercendo a profissão de jornalista até 1973 para financiar seu sonho, e então se instalou definitivamente na ilha. Na época, as Seychelles começavam a se tornar um destino procurado por turistas ricos. Moyenne, abandonada havia cinquenta anos — com exceção de uma família de pescadores —, era apenas um emaranhado de vegetação invasiva e ratos. Um terreno ideal para incorporadoras imobiliárias, se Grimshaw não tivesse intervindo.

Um projeto titânico para restaurar o ecossistema

Restaurar um ecossistema inteiro é uma tarefa muito mais complexa do que construir um resort de luxo. Acompanhado de René Antoine Lafortune, um jovem morador de 19 anos, Grimshaw embarcou em uma missão que duraria toda a vida. Juntos, decidiram transformar aquela mata impenetrável em uma floresta exuberante. A situação inicial era alarmante. O próprio Brendon Grimshaw conta em seu documentário A Grain of Sand:

A vegetação era tão densa que um coco que caía de uma árvore nem sequer chegava ao chão.

Para resolver isso, os dois plantaram manualmente mais de 16.000 árvores, incluindo mogno e palmeiras endêmicas que haviam desaparecido da região. Esse trabalho hercúleo permitiu o retorno da fauna. O silêncio pesado causado pela ausência de pássaros deu lugar ao canto de mais de 200 espécies, atraídas pelo reaparecimento de frutos e de áreas seguras para nidificação.

Um santuário protegido contra milionários

Outra grande conquista de Grimshaw foi a reintrodução da tartaruga-gigante-de-Aldabra. Quando ele chegou, não havia nenhuma; hoje, a ilha abriga mais de 120, todas marcadas e monitoradas cuidadosamente. Para tornar esse paraíso acessível sem descaracterizá-lo, ele também abriu quase cinco quilômetros de trilhas com as próprias mãos, munido de picareta e pá.

Nos anos 1980, a determinação desse amante da natureza foi colocada à prova. Segundo a BBC, um príncipe saudita teria oferecido até 50 milhões de dólares a Grimshaw para adquirir o local. A resposta do jornalista foi categórica: a ilha não está à venda. Sem herdeiros e sentindo o peso da idade, ele trabalhou para que seu legado sobrevivesse. Em 2009, conseguiu que o governo declarasse Moyenne como Parque Nacional. Brendon Grimshaw morreu em 2012, deixando para trás o menor parque nacional do mundo — uma joia verde que jamais será transformada em estacionamento.

Este texto foi traduzido/adaptado do site JV Tech.


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