Airbus e MTU planejam empresa conjunta dedicada à propulsão elétrica movida a hidrogênio

A sociedade poderá começar a operar em 2027, embora ainda dependa das aprovações necessárias

Avião a hidrogênio
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A Airbus construiu, ao longo de décadas, alguns dos aviões comerciais mais importantes do mundo, mas seus motores sempre vieram de fornecedores externos. Rolls-Royce, GE Aerospace, Pratt & Whitney e CFM International ocuparam esse espaço especializado enquanto a fabricante europeia se concentrava em projetar, integrar e montar as aeronaves. Essa separação tem sido uma das regras não escritas da indústria. Agora, a busca por um avião movido a hidrogênio levou o grupo a cruzar essa fronteira.

O movimento se concretizará por meio de uma empresa conjunta entre a Airbus e a MTU Aero Engines. O objetivo será reunir em uma mesma organização o desenvolvimento, os testes, a certificação e a comercialização de um sistema de propulsão totalmente elétrico alimentado por células de combustível de hidrogênio.

As duas empresas já assinaram um acordo não vinculante, mas a operação ainda depende das autorizações regulatórias e dos respectivos processos de consulta trabalhista. A previsão é que a nova joint-venture comece a operar em 2027.

O avião a hidrogênio da Airbus

A operação representa a primeira incursão da Airbus na fabricação de motores aeronáuticos completos. O passo rompe com um modelo no qual as fabricantes definem e integram a aeronave, mas deixam a propulsão nas mãos de empresas especializadas. A companhia europeia não pretende competir com elas nos motores convencionais utilizados atualmente em seus modelos. Sua entrada ficará restrita, pelo menos por enquanto, a uma tecnologia ainda em desenvolvimento que Airbus e MTU querem transformar em um sistema industrializado e passível de certificação.

As duas parceiras chegam ao projeto a partir de posições complementares. A Airbus contribui com seu conhecimento dos programas de aviação comercial e sua experiência em propulsão com células de combustível e hidrogênio líquido; a MTU agrega capacidades em projeto, integração, validação, certificação e manutenção de motores.

Os termos finais da futura joint-venture ainda estão sendo negociados. O Financial Times afirma, com base em duas fontes próximas às negociações, que a fabricante europeia deverá ficar com cerca de 75% da participação, que a avaliação da empresa poderá superar 1,2 bilhão de euros e que ambas as partes preferem instalá-la na Alemanha.

Airbus Recriação do conceito turbohélice ZEROe apresentado pela Airbus em 2020

A iniciativa também reflete como o programa ZEROe mudou desde seu lançamento, em 2020. Inicialmente, a Airbus pretendia colocar em operação um avião movido a hidrogênio por volta de 2035, mas acabou reconhecendo que a tecnologia e o ecossistema necessários não avançariam a tempo de cumprir esse prazo. O jornal britânico afirma que o lançamento agora está previsto para a década de 2040 e que esse reajuste já inclui uma redução do orçamento e a realocação de funcionários. Após revisar o programa, o grupo decidiu priorizar uma arquitetura totalmente elétrica baseada em células de combustível.

Tecnologia

A arquitetura priorizada não queimaria hidrogênio dentro de uma turbina. O combustível, armazenado em estado líquido, alimentaria sistemas de células de combustível que o combinariam eletroquimicamente com o oxigênio para produzir eletricidade; essa energia seria então enviada aos motores elétricos responsáveis por movimentar as hélices.

Esse conceito não deve ser confundido com o demonstrador de combustão direta que a Airbus e a CFM International planejavam testar em um A380. Tratava-se de uma abordagem tecnológica diferente. O sistema não produziria emissões diretas de CO₂ durante o voo, tendo a água como subproduto da reação.

O anúncio não aproxima imediatamente um avião movido a hidrogênio dos aeroportos. Como dissemos, a futura empresa conjunta ainda precisa ser constituída e transformar a pesquisa e os resultados dos demonstradores em um sistema industrializado e passível de certificação, além de enfrentar obstáculos que vão desde o peso e a refrigeração até o abastecimento de combustível. Também ainda não há um modelo de aeronave definido nem um cronograma comercial confirmado.

Imagens | Airbus

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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