Você já sentiu uma dorzinha repentina na região do peito, bem na altura do coração, e ficou em dúvida se era algo simples, como gases, ou um problema mais sério, como um infarto? Esse tipo de sensação é mais comum do que parece e, segundo especialistas, pode ter explicações bem diferentes, que vão desde o funcionamento natural do sistema digestivo até emergências cardíacas que exigem atendimento imediato.
A dúvida costuma surgir porque tanto os gases quanto o infarto podem provocar desconforto no peito. Mas entender as características de cada um é fundamental para evitar alarmes desnecessários e, ao mesmo tempo, não ignorar sinais de risco.
Por que a dor dos gases acontece?
A dor causada por gases está relacionada ao processo de digestão e à formação de ar no sistema gastrointestinal. Ao longo do trajeto dos alimentos, que ocorre da boca até o intestino, é comum a produção e acúmulo de gases, que podem gerar pressão interna e desconforto. Em muitos casos, essa pressão é sentida como cólica ou pontadas que podem até irradiar para a região do peito, simulando uma dor próxima ao coração. Segundo a doutora Flora Toledo, a dor causada por gases costuma ter características bem específicas:
“A dor causada por gases costuma ser em pontada, a intensidade é variável e pode melhorar ao eliminar os gases ou mudar de posição.”
Mas o que será que provoca esse desconforto? Entre as principais causas do acúmulo de gases estão hábitos alimentares e alguns comportamentos, como consumo de refrigerantes, alimentação rápida, falar durante as refeições, tabagismo e até o hábito de mascar chiclete. Além disso, parte dos gases também é produzida naturalmente pelas bactérias do intestino durante a fermentação dos alimentos.
Como diferenciar a dor de gases de infarto?
Enquanto os gases causam dor que varia e melhora com o tempo, o infarto gera um aperto contínuo, muitas vezes acompanhado de outros sintomas
Apesar de algumas semelhanças na sensação de dor, gases e infarto têm características distintas entre si, especialmente na forma como o corpo reage. Enquanto os gases costumam gerar dores passageiras e que podem melhorar com a eliminação do desconforto ou mudança de posição, o infarto apresenta um padrão mais persistente e intenso. De acordo com a doutora Flora Toledo, a dor do infarto é mais constante, em forma de aperto, e não melhora de forma tão simples. Além disso, o local da dor pode ajudar na identificação:
“Nos gases, a dor costuma ficar mais no abdômen ou na parte superior da barriga. Já no infarto, o mais comum é uma dor no centro do peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas.”
Sinais de alerta: saiba como identificar sinais de infarto e o que fazer
Um dos pontos mais importantes é reconhecer os sinais que podem indicar um infarto, já que ele exige atendimento médico imediato. Além da dor no peito, o quadro pode vir acompanhado de outros sintomas importantes, que, segundo doutora Flora, não são comuns em casos de gases. Confira que sintomas são esses:
- Dificuldade para respirar
- Suor frio
- Enjoo
- Tontura
- Mal-estar intenso
Outro ponto de atenção é que nem todos os casos apresentam dor intensa. Em cerca de um terço dos pacientes, os sintomas podem ser mais sutis, o que exige ainda mais cuidado, especialmente em mulheres, idosos, pessoas com diabetes e outros grupos de risco. Nessas situações, a recomendação é ligar para o SAMU imediatamente e evitar deslocamentos por conta própria.
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