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Esta planta bastante comum pode remover microplásticos da água potável sem a necessidade de produtos químicos agressivos — e ela pode estar no seu quintal

Pesquisa da Unesp foca em planta comum do Brasil

Moringa ou acácia-branca
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Os microplásticos se tornaram um dos maiores desafios ambientais da nossa era, infiltrando-se até mesmo na água que bebemos. No entanto, a solução para esse problema pode ser mais natural do que imaginávamos. Pesquisadores da Unesp descobriram que a Moringa oleifera, uma planta popularmente conhecida como moringa ou acácia-branca, é capaz de remover essas partículas da água de forma tão eficiente quanto os produtos químicos usados em estações de tratamento.

A planta, que é nativa da Índia e muito comum em regiões tropicais do Brasil, já era estudada por seu valor nutricional. Agora, o estudo publicado na revista ACS Omega (link no primeiro parágrafo) revela que o extrato de suas sementes atua como um coagulante natural. Na prática, ele faz com que os microplásticos se aglomerem, formando grupos maiores que podem ser facilmente filtrados.

Uma alternativa sustentável e de baixo custo

Atualmente, o tratamento convencional utiliza substâncias como o sulfato de alumínio para limpar a água. O problema é que esses componentes químicos não são biodegradáveis e podem deixar resíduos tóxicos. A moringa, por outro lado, apresentou um desempenho semelhante ao desses produtos e, em águas mais alcalinas, conseguiu ser ainda mais eficaz na remoção de partículas de PVC, um dos plásticos mais prejudiciais à saúde.

Embora o uso em larga escala ainda enfrente o desafio do aumento de matéria orgânica na água, o que poderia encarecer o processo industrial, a descoberta é uma excelente notícia para comunidades menores. Em propriedades rurais ou pequenas vilas, o extrato pode ser produzido de forma caseira, oferecendo uma maneira econômica e sustentável de garantir água mais limpa.

O projeto, que contou com o apoio da Fapesp, agora avança para testes com águas de rios reais, como o Paraíba do Sul. Os resultados preliminares confirmam que a técnica funciona fora do laboratório. Se o futuro do tratamento de água passa pela sustentabilidade, a resposta pode estar crescendo no quintal de muitas casas brasileiras.

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