Depois de “aterrorizar” a Terra em 2024, o asteroide YR4 tem um novo alvo: a Lua

Apenas em 2028 poderemos reavaliar novamente as probabilidades de impacto sobre o satélite

Asteroide YR4 / Imagem: Mike Petrucci, NASA Hubble Space Telescope
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Durante algumas semanas no início de 2025, o nome 2024 YR4 se tornou um protagonista absoluto entre as principais instituições de todo o planeta. Não era para menos, já que esse objeto, com um tamanho estimado entre 40 e 60 metros, alcançou o nível 3 na escala de Torino, um marco que não víamos há muito tempo e que implica uma probabilidade de colisão superior a 1%, com capacidade de produzir danos locais devastadores.

Depois desse susto, a ciência conseguiu chegar à conclusão de que a Terra, neste momento, está a salvo. No entanto, a história do 2024 YR4 não terminou, já que os modelos mais recentes sugerem que, embora ele nos evite, há uma probabilidade nada desprezível de que acabe se chocando contra a Lua.

Como ficamos sabendo

Em um primeiro momento, o Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra (CNEOS) da NASA prendeu a respiração no início de 2025. As primeiras observações apontavam para um cenário preocupante para o ano de 2032, com esse possível impacto, mas, à medida que se começou a prestar mais atenção a esse objeto, ficou claro que ele não acabaria atingindo a Terra.

A chave para podermos respirar um pouco mais aliviados novamente volta a estar nos “ombros” do telescópio espacial James Webb, que começou a fazer observações em maio de 2025. O equipamento permitiu refinar a órbita do asteroide com uma melhoria de precisão de 20%, confirmando que não existe risco de impacto contra o nosso planeta, nem tampouco uma alteração orbital da Lua que possa nos afetar de forma secundária. Mas, ao fechar uma porta, o JWST abriu uma janela fascinante e destrutiva: a probabilidade de que o 2024 YR4 impacte a Lua subiu de 3,8% para 4,3%.

Segundo estudos publicados recentemente no arXiv, a data-chave é 22 de dezembro de 2032. Justamente nesse dia, existe uma probabilidade de aproximadamente 1 em 23 de vermos um espetáculo violento na superfície lunar, com um impacto que liberaria uma energia de 6,5 megatoneladas de TNT.

Isso é algo muito relevante, já que essa grande energia geraria uma cratera de aproximadamente um quilômetro de diâmetro e a ejeção de 100 milhões de quilos de detritos lunares, com uma nuvem de material equivalente ao peso de cerca de 20.000 elefantes.

Logicamente, esse impacto, embora não ocorra na Terra, deve ter consequências importantes, e não propriamente físicas, mas sim por um fenômeno visual. Os detritos ejetados da Lua poderiam entrar na atmosfera terrestre algum tempo depois, gerando uma chuva de meteoros inédita provocada por um impacto secundário.

Com o passar do tempo, a Agência Espacial Europeia também validou esses dados, situando o tamanho do objeto mais precisamente entre 53 e 67 metros e confirmando a probabilidade de 4% de haver um impacto na Lua. Embora, logicamente, também haja 96% de chance de que ele passe completamente longe da Lua.

Mas esse asteroide teve um ponto muito positivo: reforçou a necessidade de melhorar as ferramentas de detecção espacial. Afinal, hoje esses objetos se escondem no “ponto cego” do brilho solar, embora, nesse caso, tenhamos tido a sorte de o sistema ATLAS, no Chile, conseguir detectá-lo.

Diante dessa limitação, a ESA considerou necessário ativar o quanto antes a missão NEOMIR, já que, se ela já estivesse em operação, teria detectado o asteroide um mês antes, oferecendo um tempo de reação vital caso a ameaça fosse contra a Terra e não contra a Lua.

O asteroide só voltará a estar em uma posição ideal para observação em 2028. Será então que os astrônomos poderão refinar essa probabilidade de 4,3% e nos dizer definitivamente se o Natal de 2032 será passado olhando para a Lua para ver como uma nova cratera se forma ao vivo.

Imagens | Mike Petrucci, NASA Hubble Space Telescope

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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