Não é só para escritório: VAIO lança notebook potente "camuflado" capaz de rodar jogos pesados e editar vídeos em 4K

Máquinas sóbrias por fora, mas que escondem um "motor de Fórmula 1" por dentro

Imagem: Divulgação/VAIO
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Matheus de Lucca

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Matheus de Lucca

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Editor-chefe do Xataka Brasil. Jornalista há 10 anos, entusiasta de tecnologia, principalmente da área de computação e componentes de PC. Saudosista da época em que em vez de um celular fazer tudo que se possa imaginar, tínhamos MP3, alarme e relógio.

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Durante anos, o mercado de computadores portáteis sofreu de uma bifurcação estética quase dogmática: se você queria desempenho bruto, precisava comprar uma máquina que parecia uma nave espacial cheia de LEDs neon. Se queria elegância e portabilidade, tinha que sacrificar a potência gráfica.

Mas a lei de Moore e a miniaturização dos componentes estão, felizmente, borrando essa linha.

O lançamento da nova versão do VAIO FH15, anunciado na última quinta-feira (29) pela marca em parceria com a Positivo Tecnologia, é um estudo de caso interessante sobre essa nova categoria de hardware: máquinas sóbrias por fora, mas que escondem um "motor de Fórmula 1" por dentro. A grande estrela aqui não é apenas o processador, mas a democratização da inteligência artificial local por meio da da GPU NVIDIA GeForce RTX 4050 e uma quantidade de memória RAM que até pouco tempo atrás era exclusiva de servidores.

Para entender o salto tecnológico do novo FH15, precisamos dissecar a RTX 4050. Para o leigo, é "apenas uma placa de vídeo para jogos", mas para a engenharia moderna é um coprocessador matemático complexo.

Imagem: Divulgação/VAIO Imagem: Divulgação/VAIO

Baseada na arquitetura Ada Lovelace, essa GPU não serve apenas para renderizar explosões em 3D. Ela possui núcleos dedicados chamados Tensor Cores. Imagine que o processador principal (CPU) do computador é um matemático generalista, capaz de resolver qualquer conta, uma por uma. Os Tensor Cores são como uma equipe de mil calculadoras trabalhando em uníssono especificamente para operações de matrizes — a base da inteligência artificial.

“O modelo conta com (...) 194 AI TOPS e Tensor Cores, o que proporciona uma aceleração tanto em aplicações de IA, quanto em edição de vídeos e renderização 3D.”

Isso significa que, para criadores de conteúdo, engenheiros ou cientistas de dados, o notebook consegue usar o DLSS 3 (Deep Learning Super Sampling). Em termos simples: a IA "adivinha" e desenha pixels intermediários em uma imagem, triplicando a fluidez visual sem exigir que o computador calcule tudo do zero. É eficiência energética pura aplicada via software.

Outro ponto que chama a atenção na ficha técnica é o suporte a até 64GB de memória RAM DDR5.

Imagem: Divulgação/VAIO Imagem: Divulgação/VAIO

Vamos usar uma analogia clássica: a memória RAM é a "mesa" onde você espalha seus papéis para trabalhar agora, enquanto o SSD é o "arquivo" onde você guarda o que não está usando.

  • A maioria dos notebooks de mercado (8GB ou 16GB) oferece uma mesa de estudante: cabe um caderno e um estojo. Se você abrir muitos programas, a mesa lota e o computador trava.
  • Com 64GB DDR5, o VAIO FH15 oferece uma mesa de reunião executiva gigante. Você pode manter softwares pesados de CAD, abas do navegador, edição de vídeo em 4K e máquinas virtuais abertos simultaneamente, sem que o sistema engasgue.

Além da capacidade, a tecnologia DDR5 oferece uma largura de banda significativamente maior que a antecessora DDR4, permitindo que os dados trafeguem entre o processador e a memória numa velocidade muito superior.

Historicamente, a marca VAIO (originalmente da Sony, hoje independente e licenciada no Brasil pela Positivo) sempre foi sinônimo de um design industrial focado em executivos. O FH15 mantém essa linhagem.

A tela de 15,6 polegadas com taxa de atualização de 144 Hz é um aceno aos gamers, garantindo movimentos fluidos, mas o acabamento antirreflexo e o brilho de 200 nits deixam claro que o foco também é o conforto visual em longas planilhas de Excel ou linhas de código.

Daniela Colin, diretora de desenvolvimento de produtos da Positivo Tecnologia, resume bem o posicionamento híbrido do produto em comunicado à imprensa:

"O VAIO FH15 foi desenvolvido para usuários que demandam alto desempenho em processamento e renderização de imagens, além de atender quem busca uma experiência de entretenimento em um patamar mais elevado.”

Resumo técnico

  • CPU: Processadores Intel Core i5 ou i7 (Série H - voltada para alta performance) de 13ª geração.
  • Gráficos e IA: NVIDIA GeForce RTX 4050 (6GB GDDR6) com suporte a Ray Tracing e DLSS 3.
  • Memória: Até 64GB RAM DDR5 (Dual Channel).
  • Armazenamento: Até 4TB em SSD NVMe (expansível via 2 slots M.2).
  • Conectividade: Wi-Fi 6 (Intel AX201) e porta USB-C 3.2 Gen 2.
  • Preço: A partir de R$ 7.999,00 (configuração inicial).

O novo VAIO FH15 se posiciona em um nicho estratégico. Tem um valor salgado (o preço inicial de quase 8 mil reais não é para qualquer bolso), mas entrega uma longevidade que notebooks de entrada não possuem. Ao combinar a RTX 4050 com a possibilidade de 64GB de RAM, a marca cria uma estação de trabalho móvel capaz de lidar com as demandas de software dos próximos 4 ou 5 anos tranquilamente.

É uma máquina para quem produz, não apenas para quem consome conteúdo. Se você precisa editar vídeo em 4K de manhã, treinar um modelo de Machine Learning à tarde e jogar Cyberpunk 2077 à noite — tudo isso sem carregar um tijolo iluminado na mochila — o FH15 entrou no radar como um concorrente de peso.

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