Os oceanos antigos foram aquecidos ao extremo, mas se comportaram de maneira inesperada e agora confundem a ciência

 Mais calor é igual a menos oxigênio no mar? Essa regra foi quebrada

Oceano | Fonte: Unsplash/Silas Baisch
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Um novo estudo publicado nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, está mudando a forma como entendemos a saúde dos oceanos em tempos de crise climática. Cientistas das universidades de Southampton (Reino Unido) e Rutgers (EUA) descobriram que, há 16 milhões de anos, o Mar Arábico era muito mais rico em oxigênio do que é hoje, apesar de o planeta estar bem mais quente naquela época.

A descoberta, baseada em fósseis marinhos, desafia a regra clássica de que "mais calor é igual a menos oxigênio no mar". O estudo sugere que a circulação oceânica e ventos locais, como as monções, podem proteger certas regiões da asfixia marinha, mesmo sob temperaturas elevadas.

O mistério do Mioceno

Para entender o futuro, os pesquisadores olharam para o passado, especificamente para o Período Quente do Mioceno (MCO). Esse período teve condições de temperatura e níveis de CO2 na atmosfera semelhantes aos que os cientistas preveem para depois do ano 2100.

A equipe analisou o plâncton fossilizado (foraminíferos) em sedimentos do fundo do mar. A química das conchas desses microrganismos funciona como um arquivo histórico dos níveis de oxigênio de milhões de anos atrás.

Enquanto o Oceano Pacífico também mostrou boa oxigenação no passado quente, o Mar Arábico manteve níveis moderados de oxigênio por mais tempo do que o esperado. A perda severa de oxigênio só aconteceu milhões de anos depois, quando o clima já estava esfriando.

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Ventos fortes de monções e a troca de água entre mares vizinhos agiram como ventiladores naturais, retardando a perda de oxigênio no Mar Arábico.

Entendendo os oceanos atualmente

Atualmente, os oceanos perdem cerca de 2% de seu oxigênio a cada década devido ao aquecimento global causado pelo homem. Isso cria "zonas mortas" onde a vida marinha não consegue sobreviver. No entanto, a nova pesquisa traz um fio de esperança e um alerta:

Os modelos globais que focam apenas no aumento da temperatura podem estar errados. Fatores locais podem ajudar (ou piorar) a oxigenação de certas costas.

No longo prazo — em escalas de séculos ou milênios —, algumas partes do oceano podem recuperar seus níveis de oxigênio, mesmo que as temperaturas continuem altas.

Durante o Mioceno, o Mar Arábico era "hipóxico" (oxigênio moderado), suportando uma ampla gama de seres vivos. Hoje, ele é "subóxico" (oxigênio mínimo), o que limita drasticamente a vida marinha.

A Dra. Alexandra Auderset, uma das líderes do estudo, reforça que a resposta do oceano ao calor é complexa e que precisamos estar prontos para nos adaptar a condições em constante mudança.

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