Achávamos que o silêncio absoluto trazia paz, mas o cérebro reage de forma assustadora: alucinações e perda de equilíbrio

Você começa a escutar seus órgãos funcionando e seu sangue fluindo nas veias

Câmara anecoica
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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A busca por momentos de tranquilidade é um desejo comum na vida urbana, mas existe um limite onde a paz se transforma em pânico biológico. Em laboratórios equipados com câmaras anecoicas — salas projetadas para absorver 99,99% das ondas sonoras — o silêncio atinge níveis negativos de decibéis. 

O que parece ser o paraíso para meditação revela-se, em poucos minutos, uma experiência perturbadora que o cérebro humano simplesmente não foi projetado para suportar.

O cérebro como um radar em pânico

O ser humano vive em um estado constante de monitoramento auditivo. Quando entramos em um ambiente de silêncio absoluto, ocorre um fenômeno chamado privação sensorial. Sem estímulos externos para processar, o cérebro aumenta drasticamente o seu "ganho" interno. Na tentativa desesperada de encontrar algum som, o sistema nervoso começa a amplificar os ruídos mecânicos do próprio corpo que normalmente seriam ignorados pelo filtro da consciência.

Em uma câmara anecoica, o silêncio é tão profundo que você começa a ouvir o sangue fluindo em suas veias, as batidas do seu coração como se fossem tambores, seus órgãos funcionando e até o rangido de suas articulações ao menor movimento. Para muitas pessoas, a percepção auditiva dos pulmões trabalhando torna-se opressora.

Alucinações, perda de contato com a realidade...

A ausência de som não apenas amplifica o corpo, mas desorienta a mente. Sem referências acústicas do ambiente, o cérebro começa a projetar sons inexistentes para preencher o vazio — um processo conhecido como autofonia.

 É comum que voluntários relatem ouvir zumbidos agudos, vozes distantes ou sons rítmicos. O cérebro, agindo como um motor em ponto morto, gera suas próprias "alucinações auditivas" para manter o funcionamento dos circuitos neuronais.

E, por fim, falha no equilíbrio 

Além do impacto psicológico, o silêncio absoluto compromete a física do corpo. O equilíbrio humano depende em grande parte de pistas auditivas e espaciais. Em uma sala onde o som não rebate nas paredes, o sistema vestibular (localizado no ouvido interno) perde sua referência de espaço. 

Sem o eco sutil que nos situa no mundo, a maioria das pessoas perde a capacidade de ficar em pé por muito tempo, sentindo vertigem e uma necessidade urgente de sentar.

O silêncio absoluto, portanto, não é a ausência de perturbação, mas sim uma forma extrema de estresse. A quietude total não é o nosso estado natural, pois somos seres feitos para o contato constante com o mundo ao nosso redor.

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