Antes da crise da Covid-19, algumas notícias distantes falavam de um vírus na China, mas a vida seguia normalmente, despreocupada, até que tudo mudou em questão de dias. Para Matt Shumer, investidor e fundador de startups na área de inteligência artificial, estamos exatamente na mesma fase de negação diante de uma revolução que ultrapassa a todos.
O dia 5 de fevereiro de 2026 representa, mais uma vez, o avanço inexorável da IA: o lançamento simultâneo do GPT-5.3 Codex, da OpenAI, e do Opus 4.6, da Anthropic. Essas iterações marcam a transição de ferramentas práticas para entidades capaz de julgamento.
A evolução deixou de ser linear e se tornou exponencial. Até aqui, os pesquisadores aprimoravam os modelos. Agora, a IA participa ativamente de sua própria concepção, criando um ciclo tal que especialistas falam em uma explosão de inteligência. Já não se trata de uma inovação vaga, mas de uma realidade documentada pelos líderes do setor.
Matt Shumer relata as declarações oficiais da OpenAI:
“GPT-5.3-Codex é o nosso primeiro modelo que desempenha um papel determinante em sua própria criação. A equipe Codex utilizou versões preliminares para depurar o próprio treinamento, gerenciar sua implantação e diagnosticar os resultados de testes e avaliações.”
O diagnóstico é mais do que alarmante. Se uma IA pode programar, ela pode programar a próxima versão de si mesma, mais inteligente, que por sua vez programará ainda mais rápido. Dario Amodei, CEO da Anthropic, estima que estamos a apenas um ou dois anos de uma autonomia total nesse processo.
Para os desenvolvedores, a mudança é brutal: Shumer explica que já não programa mais. Ele descreve um aplicativo em linguagem natural, se afasta da tela por quatro horas e retorna para encontrar um produto finalizado, testado e corrigido pela própria IA, com um nível de acabamento que supera o de um especialista humano.
Um tsunami imparável no mercado de trabalho
Não cometa o erro de achar que isso diz respeito apenas às profissões dos outros. Se os engenheiros foram os primeiros a ser atingidos, foi apenas porque a IA precisava de código para crescer. Agora que esse patamar foi superado, ela avança sobre todo o resto: direito, finanças, medicina, contabilidade, redação… A lista é infinita.
Dario Amodei, embora conhecido por sua prudência, prevê que a IA pode eliminar 50% dos empregos administrativos de nível inicial dentro de um a cinco anos. A diferença em relação às revoluções anteriores é que não há zona de refúgio. Antes, quando uma fábrica fechava, o operário podia se tornar funcionário de escritório. Mas hoje, qualquer que seja a área para a qual você decida migrar, a IA já está avançando mais rápido do que você.
Como não ser substituído
Diante desse cenário, a inação é a pior reação. Matt Shumer insiste: o abismo entre a percepção do público (baseada em versões gratuitas e desatualizadas) e a realidade dos modelos pagos é enorme. Para não ser arrastado pela onda, é preciso se tornar quem domina a ferramenta, em vez de permanecer na negação e proibir seu uso.
Dario Amodei ressalta a urgência da situação: “Estamos no caminho para ver surgir, em 2026 ou 2027, modelos de IA substancialmente mais inteligentes do que quase todos os humanos em quase todas as tarefas”.
Eis os conselhos de Matt Shumer para aplicar desde já:
- Passe para o Premium: invista o dinheiro e use apenas os modelos de ponta (GPT-5.2, Claude Opus 4.6). O modelo padrão já está obsoleto, limita sua produtividade e o mantém na negação sobre suas reais capacidades.
- Esqueça a pesquisa simples: não trate a IA como o Google. Entregue a ela seus contratos, planilhas e dossiês complexos para uma análise aprofundada.
- Pratique a iteração: a primeira versão será imperfeita. Forneça contexto, reformule e pressione a ferramenta até obter um resultado profissional.
- Proteja suas finanças: antecipe a mudança. Reduza suas dívidas e economize para manter sua liberdade de movimento caso seu setor seja abalado.
- Invista no que é insubstituível: fortaleça aquilo que a IA não gerencia — a confiança humana, a responsabilidade legal e a presença física.
- A hora diária: dedique 60 minutos por dia para testar o impossível. É a única maneira de permanecer no 1% que dominará o futuro.
O tempo em que a IA era apenas assunto de conversa casual já passou. A escolha ainda está em suas mãos: aprenda a domar o raio ou sofra o impacto.
Este texto foi traduzido/adaptado do site JV Tech.
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