Esqueça o javali: a ciência alerta para um novo invasor de 100 kg no Pantanal que esconde um detalhe inesperado

Chital, cervo asiático invasor, se espalha pelo Brasil e acende alerta sobre impactos ecológicos no Pantanal

Chital na mata. Créditos: shutterstock
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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De longe, ele pode até parecer o Bambi, personagem clássico da Disney que se destaca pela inocência. Mas não se deixe enganar pelas aparências: você pode estar cara a cara com o chital (Axis axis), uma espécie exótica invasora no Brasil considerada perigosa. Originária da Ásia, a espécie foi registrada no Brasil pela primeira vez em 2009 e, desde então, vem ampliando sua área de ocorrência no país.

Em janeiro deste ano, o chital foi registrado pela primeira vez no Pantanal, em uma fazenda localizada a cerca de 100 km ao sul de Corumbá (MS), na região do Nabileque. O animal foi filmado por um funcionário da propriedade após atacar touros no pasto e ser perseguido por cães. O registro confirma o avanço da espécie pelo território brasileiro, cuja expansão tem sido estimada entre 100 e 150 quilômetros por ano.

Cervo asiático cruzou fronteiras e pode pesar mais de 100 kg

Se o chital é nativo da Ásia, o que ele está fazendo aqui no Brasil? O animal foi introduzido no início do século XX no Uruguai e, entre 1928 e 1930, na Argentina, com fins de caça esportiva. Mas a partir dessas populações, a espécie expandiu-se pelo território argentino, alcançou o Paraguai e entrou no Brasil pelo Rio Grande do Sul. Desde então, ele foi visto também em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e agora no Mato Grosso do Sul.

E não pense que eles passam despercebidos: de porte grande e forte, os machos podem ultrapassar os 100 kg. Além disso, o chital é adaptável e com alta capacidade de dispersão. Para se ter uma ideia, a expansão da espécie pode variar entre 100 e 150 quilômetros por ano, e à medida que as populações crescem e se tornam mais densas, essa velocidade pode aumentar ainda mais.

Contudo, o detalhe que ninguém imagina está no comportamento do chital. Diferentemente da imagem popular associada aos cervos, ele pode apresentar interações agressivas. Em 2022, no Paraguai, um chital mantido como animal ornamental atacou e matou um policial na residência oficial do presidente do país. Já no Pantanal, o animal investiu contra bovinos, comportamento incomum para cervídeos nativos brasileiros.

Risco direto à fauna do Pantanal e um país sem estratégia de controle

O avanço do chital preocupa principalmente pelos impactos ecológicos. O Pantanal abriga as maiores populações de cervo-do-pantanal , espécie ameaçada de extinção, e de veado-campeiro, além de outras espécies como o veado-catingueiro  e o veado-mateiro.

A chegada de um competidor exótico de grande porte pode significar disputa por alimento, transmissão de doenças e conflitos diretos entre eles. Embora ainda não existam estudos que detalhem os impactos da espécie nas áreas invadidas, já se sabe que há sobreposição alimentar com cervídeos nativos. A magnitude do problema pode se tornar mais clara apenas quando a população invasora atingir maior densidade, um momento em que o controle da espécie costuma ser mais difícil e caro.

A invasão do chital no território brasileiro lembra até o histórico com o javali (Sus scrofa). A estratégia de controle, concentrada principalmente na ação de Caçadores, Atiradores e Colecionadores de armas de fogo (CACs), foi insuficiente para conter a expansão da espécie, que exige remoções superiores a 60% ao ano para estabilização populacional

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