Durante anos, a Geração Z ouviu em casa que o ensino superior e os títulos acadêmicos adicionais eram garantia de uma carreira bem-sucedida. Hoje, esses jovens têm a dolorosa percepção de que essas promessas não correspondem à realidade. Em vez de construir carreira nos setores dos seus sonhos, os jovens estão se tornando o grupo mais superqualificado no mercado de trabalho contemporâneo.
Segundo o portal BBC, o fenômeno tem caráter global, com um caso marcante sendo o da China, onde milhões de formados não conseguem encontrar emprego na própria área. Como resultado, no mercado surgem:
- Graduados em Física trabalhando como zeladores e “faz-tudo”;
- Mestres em Filosofia empregados como entregadores ou couriers de comida;
- Pessoas com doutorado integrando as fileiras de unidades auxiliares da polícia.
Como observa o professor Zhan Jun, da Universidade de Hong Kong, o mercado hoje é extremamente exigente, o que obriga os jovens a revisarem drasticamente suas expectativas. Isso é confirmado por Wu Dan, de 29 anos, formada em Finanças e atualmente trabalhando como massagista. Ela destaca que seus colegas estão perdidos e que aqueles que conseguiram qualquer emprego vivem em constante medo do amanhã.
A situação é agravada por demissões em massa no setor de tecnologia, que fazem com que os jovens, logo no início da carreira, tenham de competir com veteranos do setor. A Europa também enfrenta esse problema. Segundo dados do Eurostat:
- A proporção de trabalhadores com qualificações acima do exigido pelos seus cargos na União Europeia é de 22%;
- O líder negativo desse ranking é a Espanha, onde o índice chega a 36%.
A Geração Z está lidando com um sistema econômico que não gerou um número suficiente de vagas especializadas para uma população tão bem instruída. As previsões não indicam melhora rápida. Será que já é hora de voltar às escolas profissionalizantes?
Este texto foi traduzido/adaptado do site GRY Online.
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