A Rússia acaba de ativar seu maior parque eólico; e o fez utilizando componentes fabricados quase inteiramente no próprio país

  • Localizada na República do Daguestão, atinge uma capacidade máxima de 300 MW;

  • Uma solução para as frequentes interrupções no fornecimento de energia que afetam residências e empresas da região

A Rússia acaba de ativar seu maior parque eólico; e o fez utilizando componentes fabricados quase inteiramente no próprio país
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Fabrício Mainenti

Redator

A Rússia inaugurou seu parque eólico mais potente até o momento. A usina Novolakskaya, localizada na República do Daguestão, atingiu sua capacidade máxima de 300 MW após a entrada em operação de sua segunda fase, tornando-se o maior empreendimento de energia eólica já construído no país. Confira os detalhes.

Por que isso é importante

O Daguestão enfrenta há muito tempo problemas no fornecimento de energia, incluindo interrupções frequentes que afetam tanto residências quanto empresas da região. A entrada em operação da usina põe fim a esse déficit crônico, uma vez que suprirá quase 9% da demanda de eletricidade da república, segundo dados do Ministério de Energia da Rússia.

Os números

O parque eólico é composto por 120 turbinas, cada uma com capacidade de 2,5 MW, implantadas em duas fases de construção (152,5 MW na primeira e 147,5 MW na segunda). Trata-se de máquinas gigantescas; cada turbina tem a altura de um prédio de 50 andares e pesa mais de 320 toneladas.

Desenvolvido pela divisão de energia renovável da estatal Rosatom, o projeto foi concluído em menos de dois anos. A previsão é que a usina gere uma média de 879 milhões de quilowatts-hora por ano — eletricidade suficiente para abastecer aproximadamente 240 mil residências.

Nas entrelinhas

Além dos números, há um detalhe que a Rosatom destaca especialmente: o alto índice de componentes fabricados na própria Rússia. Grigory Nazarov, CEO da Rosatom Renewable Energy, ressaltou que este é o décimo parque eólico da empresa e o primeiro a alcançar um "nível recorde de nacionalização" dos equipamentos — o que significa que a grande maioria dos componentes (turbinas, naceles, geradores e pás) foi produzida por empresas do próprio grupo Rosatom.

Isso está alinhado à estratégia russa de reduzir a dependência tecnológica de fontes estrangeiras em meio às sanções internacionais.

Por sua vez, o vice-ministro de Energia da Rússia, Pyotr Koniushenko, observou que o investimento em energia renovável "constitui uma das prioridades estratégicas do país para fortalecer a estabilidade de seu sistema energético", segundo a TeleSURTV.

O que vem a seguir?

O impacto da usina vai além da geração de eletricidade. Sua construção trouxe novas vias de acesso, subestações e linhas de transmissão, além de empregos e maior arrecadação de impostos para a região, segundo o líder interino do Daguestão, Fyodor Shchukin. Ele descreveu a usina como "uma prova de que a república está pronta para executar projetos tecnológicos de grande porte".

O projeto Novolakskaya não será o último. A Rosatom já garantiu acordos para mais de 1,3 gigawatt de capacidade de energia eólica em dez usinas, e seu plano é atingir 2 GW de capacidade instalada até 2028, posicionando a empresa como um dos principais atores no mercado de energia renovável da Rússia.

Imagem de capa | Atom Media

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