Nem apagões, nem gasolina cara: a jogada genial do país vizinho do Brasil que o blindou contra a crise energética do Irã

Com matriz elétrica quase 100% renovável, Uruguai reduz impacto direto da alta do petróleo, mas não está imune aos efeitos indiretos da crise global

Crise Energetica
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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De modo geral, sempre que um conflito é iniciado no Oriente Médio, o impacto é quase imediato: petróleo mais caro, pressão inflacionária e risco de instabilidade energética. Com o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, não tem sido diferente. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro desse ano, os preços do barril de petróleo voltaram a subir e rotas estratégicas de abastecimento, como o Estreito de Ormuz, passaram a funcionar sob constante ameaça.

Mas, enquanto muitos países sentem esses efeitos quase em tempo real, um vizinho do Brasil vive essa situação com relativa tranquilidade: o Uruguai. A explicação está em uma matriz elétrica majoritariamente renovável. Ainda assim, essa proteção tem limites e a crise global continua representando um risco, ainda que de forma indireta.

Energia limpa reduz vulnerabilidade do Uruguai diante à alta do petróleo

A relativa “tranquilidade” do Uruguai em meio a uma crise energética global não é fruto de uma medida atual. Ela é resultado de uma decisão estratégica tomada há cerca de 25 anos atrás, quando o país ainda enfrentava apagões diários e dependia quase totalmente de combustíveis fósseis importados. No fim dos anos 2000, o governo decidiu redesenhar completamente o sistema elétrico nacional do país com base em planejamento técnico e metas de longo prazo, o que o transformou em referência global em fontes de energia renováveis. Confira a seguir como foi feita a transição energética do Uruguai:

  • O país estruturou um plano energético contínuo que sobreviveu a diferentes governos;
  • A matriz foi diversificada com fontes complementares, como vento, sol, água e biomassa;
  • Modelos de simulação ajudaram a garantir que a combinação dessas fontes não comprometeria a estabilidade da rede;
  • O ambiente regulatório foi ajustado para atrair investimento privado, acelerando a expansão da infraestrutura.

O resultado dessas mudanças é um sistema resistente, que além de atender à demanda energética interna, também gera excedentes exportáveis. Essa estrutura permitiu que o Uruguai operasse com uma base energética previsível, estável e muito menos vulnerável a choques externos, diferentemente dos demais países dependentes de petróleo, que enfrentam alta de custos e risco de escassez.

Disparada do petróleo testa os limites da blindagem energética do Uruguai e expõe efeitos indiretos da crise

Energia eólica 98% da energia do Uruguai é de fontes renováveis

Se por um lado a matriz renovável protege o Uruguai de apagões e da dependência direta do petróleo, por outro, ela não é suficiente para isolar completamente o país de uma crise global como a provocada pela guerra no Irã. Isso porque o impacto do conflito vai muito além da geração de energia, afetando cadeias logísticas, preços internacionais e o ritmo da economia mundial. O momento atual do mercado de petróleo ajuda a dimensionar essa pressão:

  • O mercado de petróleo segue altamente volátil, com oscilações bruscas diante das incertezas geopolíticas;
  • O Estreito de Ormuz, rota estratégica para cerca de 20% do petróleo global, permanece sob risco;
  • Analistas internacionais já consideram cenários em que o barril pode ultrapassar US$150 em caso de bloqueio prolongado;
  • Danos à infraestrutura energética no Oriente Médio aumentam o medo de restrições duradouras na oferta.

Mesmo com eletricidade quase toda renovável, o impacto é sentido de outras formas pelo país. O encarecimento do petróleo eleva custos de transporte, pressiona cadeias produtivas e afeta a distribuição de insumos essenciais. Além disso, uma outra problemática pode surgir, que é a queda na demanda externa. Isso acontece porque  uma crise energética pode afetar grandes economias, como a da China, Estados Unidos e União Europeia, impactando na importação de produtos. 


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