Silenciosamente, a Mistral está crescendo exponencialmente. A startup francesa de inteligência artificial afirma que sua receita aumentou vinte vezes no último ano, graças a uma estratégia particularmente marcante e eficaz: defender e promover a soberania tecnológica europeia.
O que aconteceu?
Arthur Mensch, cofundador e CEO da Mistral, explicou ao Financial Times que sua receita anualizada mais recente — que estima o faturamento anual com base nos números do mês anterior — ultrapassou US$ 400 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões). Um ano atrás, essa receita era de apenas US$ 20 milhões (cerca de R$ 107,5 milhões) por ano. Em outras palavras, aumentou vinte vezes.
Para se ter uma ideia: isso é mais do que a Grok gera.
As perspectivas são boas
A startup parisiense tem crescido de forma constante desde sua fundação e já foi avaliada em € 12 bilhões (cerca de R$ 75,6 bilhões) no ano passado. Esse valor pode em breve ficar desatualizado, pois a empresa está a caminho de ultrapassar US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões) em receita anual recorrente até o final do ano, caso mantenha esse ritmo de crescimento.
Entre suas parcerias mais notáveis está a firmada com a ASML em setembro de 2025: foi quando a empresa holandesa investiu € 1,3 bilhão (cerca de R$ 8,1 bilhões) nela. Embora não esteja fazendo muito alarde, continua a crescer com um componente-chave.
Empresas de grande porte
A Mistral está expandindo rapidamente o número de grandes clientes corporativos. Atualmente, conta com mais de 100, e embora não seja particularmente popular entre os usuários finais — que tendem a optar por modelos de grandes empresas de tecnologia americanas — a opção para essas empresas europeias está se tornando cada vez mais clara. Se elas desejam evitar depender de infraestrutura e controle fora da Europa, a Mistral agora apresenta uma forte alternativa.
Novos data centers
A empresa anunciou nesta quarta-feira que investirá € 1,2 bilhão (cerca de R$ 7,5 bilhões) em um novo data center na Suécia. É o primeiro centro desse tipo que a empresa construirá fora da França, e Mensch explicou que "Estamos diversificando e distribuindo nossa capacidade por toda a Europa". Este centro de dados será criado em colaboração com a EcoDataCenter e deverá entrar em operação em 2027. A escolha da Suécia foi óbvia, segundo Mensch, que destacou o grande atrativo do país, pois a energia lá apresenta "baixas emissões de carbono e é relativamente barata".
Parceiros e clientes estão localizados dentro e fora da UE
Embora a Mistral se posicione como a principal autoridade em "IA europeia", ela também conta com a Microsoft e a NVIDIA entre seus investidores. De fato, sua ambição é global, mas ser a única grande desenvolvedora europeia de LLMs fundamentais a colocou em evidência para todas as empresas europeias que buscam independência de parceiros nos EUA ou na China. ASML, Total Energies, HSBC e governos como os da França, Alemanha e Grécia já utilizam os serviços da Mistral, e 60% de sua receita provém da Europa.
Uma mensagem perfeita para os tempos atuais
O CEO da Mistral tem uma estratégia clara e chegou no momento perfeito para implementá-la, defendendo a soberania europeia:
"A Europa percebeu que sua dependência dos serviços digitais americanos era excessiva e agora se encontra em uma conjuntura crítica. Oferecemos às empresas europeias uma vantagem, pois fornecemos a elas modelos, softwares e poder computacional completamente independentes de empresas americanas".
Os data centers devem pertencer a empresas europeias
Mensch também falou sobre todos os data centers que as grandes empresas de tecnologia criarão na Europa e, claro, na Espanha: "É importante que percebamos que não é tão útil (para os Estados) implantar recursos computacionais se você estiver criando data centers apenas para hiperescaladores americanos".
Ou seja: ter data centers de IA de empresas como Microsoft, Google ou Amazon na Europa serve muito mais aos interesses dessas empresas do que aos interesses europeus.
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