A Agência Internacional de Energia (IEA) acaba de colocar em perspectiva, pela primeira vez, a economia de energia associada à eletrificação dos transportes. E, de acordo com seus cálculos, os veículos elétricos reduzirão a demanda global de petróleo em mais de 12 milhões de barris entre agora e 2035.
O relatório "Global EV Outlook 2026" afirma que abandonar os motores a diesel já significa consumir 1,7 milhão de barris de petróleo a menos por dia, mas em apenas dez anos esse número se multiplicará por dez. Esse volume de petróleo bruto é equivalente à produção combinada dos EUA e da Noruega em 2023, ou 12% da demanda global de petróleo prevista para aquele ano.
Menos petróleo, menos dependência, mais energia
Segundo a AIE (Agência Internacional de Energia), os carros elétricos atingirão uma participação de 5% no mercado global até 2025 e já evitaram a queima de 1,7 milhão de barris de petróleo por dia (700 mil em 2023), principalmente na China, Europa e Estados Unidos. E isso é só o começo: em apenas 12 anos, essa economia se multiplicará por 17, de acordo com o Cenário de Compromissos Anunciados (APS) da AIE, que se baseia nos compromissos regulatórios já anunciados por diversos países.
A AIE estima que 23 milhões de veículos elétricos serão vendidos anualmente em 2026. Isso representaria uma participação de mercado global de mais de 29%. E esse crescimento acelerado permitirá algo que parecia impossível não muito tempo atrás: antecipar o pico da demanda por petróleo no setor de transportes para antes de 2030.
Especialistas da AIE apontam que a redução da dependência do petróleo bruto não é mais apenas uma questão ambiental, mas também uma questão energética: quanto mais veículos elétricos existirem, menor será a dependência dos grandes produtores de petróleo, o que fortalece a independência energética de países como China, Índia e os Estados-membros da UE.
Isso também reduz a pressão sobre refinarias, petroleiros e as crises logísticas que vivenciamos nos últimos anos com a pandemia e as guerras na Ucrânia e no Irã.
Os cálculos mostram que a frota de veículos elétricos conteve o crescimento da demanda por petróleo para apenas 0,7% em 2025, bem abaixo do crescimento médio anual de 1,4% entre 2010 e 2019.
Baterias, pontos de recarga e uma indústria se reinventando
Mas não se trata apenas de abandonar os motores de combustão. Para que isso funcione, a produção de baterias precisa quadruplicar até 2030, segundo a AIE. Isso significa uma expansão massiva da produção, bem como uma verdadeira corrida para garantir materiais como lítio, cobalto e níquel, "para assegurar cadeias de suprimentos mais robustas e sustentáveis".
Por outro lado, o relatório indica que as redes de recarga precisarão crescer exponencialmente, com investimentos contínuos e avanços regulatórios que facilitem a interoperabilidade entre países e marcas. Os veículos elétricos não são mais apenas uma questão automotiva, mas um componente-chave da política industrial e energética global, e a AIE estima que, entre 2025 e 2030, 150 milhões de pontos de recarga precisarão ser adicionados em todo o mundo, e a capacidade de recarga precisará aumentar dez vezes.
China lidera o caminho, mas futuro está sendo moldado pelos mercados emergentes
A China domina claramente: ela será responsável por 70% de todos os carros elétricos do mundo até 2025, com uma participação nas vendas de quase 55%. A Europa vem em seguida, com 28%, e os EUA, com 10%.
Mas o verdadeiro desafio reside nos países emergentes. As vendas de veículos elétricos aumentaram em 2 milhões de unidades fora da China, Europa e Estados Unidos. Brasil, Tailândia e Vietnã estão atraindo investimentos maciços e construindo suas próprias indústrias. Na América Latina, o crescimento de veículos elétricos gira em torno de 75%. Para que essa mudança se torne global, esses países não podem ficar para trás.
A China está exportando sua vantagem industrial para esses mercados. Até 2025, os fabricantes chineses fornecerão aproximadamente 60% das vendas de veículos elétricos para economias emergentes fora da China. As exportações chinesas de veículos elétricos para o Sudeste Asiático cresceram 130%, e as para o Oriente Médio, 60%.
A China continua sendo o epicentro da revolução elétrica, mas o crescimento mais rápido está gradualmente se deslocando para os mercados emergentes.
Em relação ao preço, o relatório observa que, na China, os veículos elétricos já são mais baratos do que seus equivalentes com motor a combustão. Na Europa e nos Estados Unidos, o mesmo ainda não pode ser dito, embora estejam se aproximando. Atualmente, eles ainda são entre 10% e 50% mais caros.
No entanto, se considerarmos o custo total (preço, manutenção e energia), os veículos elétricos já se destacam na maioria dos mercados. De acordo com a AIE (Agência Internacional de Energia), a paridade de preços de compra será alcançada globalmente por volta de 2030.
Imagens | Unsplash, AIE, Peugeot
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