Notebook com IA: o que muda na hora de escolher o próximo computador

Processador, memória e bateria continuam valendo, mas agora entra uma pergunta nova na escolha do notebook: ele tem um chip próprio para inteligência artificial? 

Divulgação / Positivo
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Vinicius Braga

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Vinicius Braga trabalha há mais de 20 anos com conteúdo digital. Sempre foi um entusiasta da tecnologia e sempre acreditou que inovação não é só sobre máquinas ou códigos, mas sobre pessoas. No Xataka Brasil, usa suas experiências com mídia digital, dados e inteligência artificial para aproximar o público das grandes transformações do mundo tech e mostrar como o futuro já está acontecendo e pode ser acessado por todos.

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Escolher um notebook com IA começa a fazer parte da compra de computador no Brasil. Por décadas, a conta foi a mesma: quanto mais rápido o processador, mais memória e mais bateria, melhor. A fabricante brasileira Positivo Tecnologia divulgou nesta quarta-feira (4) uma análise defendendo que essa lista ganhou um item: a capacidade de a máquina rodar recursos de inteligência artificial sozinha, sem depender da internet.

É claro que a empresa tem interesse no assunto, porque vende esse tipo de notebook. Mas os números de quem acompanha o mercado de fora apontam na mesma direção.

O que é um "AI PC"?

O nome vem do inglês e quer dizer, literalmente, "PC com IA". Na prática, é um computador que, além do processador comum (a CPU) e do chip de vídeo (a GPU), tem uma terceira peça: a NPU, sigla para unidade de processamento neural.

A NPU é um chip feito sob medida para as contas que a inteligência artificial faz. Ela não substitui o processador, divide o trabalho com ele. Tarefas como borrar o fundo numa videochamada, gerar legenda automática de um vídeo ou melhorar a imagem da webcam podem rodar nela, gastando menos bateria e deixando o processador livre para o resto.

Para levar o selo Copilot+ PC da Microsoft, a categoria mais conhecida, o notebook precisa de uma NPU capaz de fazer pelo menos 40 trilhões de operações por segundo (os tais 40 TOPS), além de 16 GB de memória e 256 GB de armazenamento.

Por que a IA muda os critérios de escolha do notebook?

Porque cada vez mais programas vão pedir esse chip. Segundo o Gartner, 40% dos fornecedores de software devem priorizar recursos de IA que rodam direto no PC até o fim de 2026. Em 2024, eram só 2%.

O argumento da Positivo é que, se o software muda, o hardware passa a pesar de outro jeito. "A presença de uma NPU passa a ter relevância não apenas pela especificação em si, mas pelo que ela permite fazer", afirma Daniela Colin, diretora de Procurement e Desenvolvimento de Produto da empresa.

Existe também uma vantagem que vai além da velocidade: privacidade. Quando o recurso de IA roda no próprio notebook, a informação não precisa sair do computador e ir para um servidor na nuvem.

Quanto do mercado já é de notebooks com IA?

Pela projeção do Gartner, publicada em agosto de 2025, os AI PCs devem chegar a cerca de 55% de todos os computadores vendidos no mundo em 2026. Entre os notebooks, a fatia prevista é ainda maior: 58,7%. Ou seja, comprar um modelo novo sem NPU tende a ficar cada vez mais difícil.

No Brasil, a própria Positivo vende o Master Copilot+ PC, que a empresa apresenta como o primeiro notebook brasileiro com processador Intel Core Ultra Série 3 e fabricado no país. Entre os recursos que usam a NPU estão o Live Captions (legenda ao vivo do que está tocando), o Windows Studio Effects (ajustes de imagem e luz na câmera) e o Recall, que guarda o histórico do que apareceu na tela para a pessoa buscar depois.

Então vale trocar o notebook agora?

Não necessariamente, e a própria fabricante admite isso. "Estamos em uma fase em que o mercado ainda está descobrindo as possibilidades da IA embarcada", diz Colin. Muitas funções de IA que as pessoas mais usam hoje, como o ChatGPT ou o próprio assistente Copilot, rodam na nuvem e funcionam em quase qualquer computador com internet.

Um detalhe do comunicado ajuda a entender o momento. Sobre o VAIO Pro BK, modelo corporativo da marca, a Positivo conta que os clientes destacam mesmo câmera, bateria e segurança, enquanto as funções ligadas à NPU entram "gradativamente" na rotina. Quem compra ainda olha primeiro para o básico.

A recomendação que sobra é prática: quem vai comprar um notebook para durar quatro ou cinco anos tem bons motivos para considerar a NPU, porque os programas devem cobrar esse chip nesse período. Quem está satisfeito com a máquina atual e usa IA pelo navegador não perde nada esperando.

O que observar daqui para frente

A pergunta que decide se o AI PC vira obrigatório é do lado do software: quantos aplicativos do dia a dia vão exigir a NPU para funcionar bem. Por enquanto, a lista de recursos é curta e concentrada no Windows. Se a previsão do Gartner se confirmar, ela cresce rápido, e a NPU entra na ficha técnica com o mesmo peso que memória e processador têm hoje.

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