O Google finalmente lhe dá a resposta que você procura logo de primeira; e essa é exatamente a origem dos seus problemas

  • O Google admite que seu modo de IA gera menos receita do que a busca clássica e freia o crescimento de seus ganhos;

  • A solução passa por incluir mais anúncios nas respostas da IA, ainda que isso coloque em risco sua credibilidade

O Google finalmente lhe dá a resposta que você procura logo de primeira; e essa é exatamente a origem dos seus problemas
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Fabrício Mainenti

Redator

O fato de todas as empresas terem voltado suas atenções para a IA não é algo que nos surpreenda a esta altura, já que basta abrir quase qualquer aplicativo, serviço ou plataforma para ver que ela está presente. Os chatbots são onipresentes, assim como as ferramentas generativas. E poucas empresas adotaram a tecnologia de forma tão intensa quanto o Google, que a integrou à maior parte de seu portfólio — com resultados variados.

A empresa que domina, agora dominada

O Google é um peso-pesado da inteligência artificial. Isso se deve à importância que a companhia sempre deu ao tema ao longo do tempo e ao fato de que grande parte dos mecanismos de treinamento e inferência foi desenvolvida pela Alphabet e suas divisões, especialmente a DeepMind. Por exemplo, a arquitetura Transformer, criada no Google, é a pedra angular da IA ​​atual.

O paradoxo do Google é que a empresa foi pega de surpresa justamente no campo em que, teoricamente, era a líder. Ela não conseguiu antecipar o segmento de consumo que a OpenAI identificou com o ChatGPT. Esse chatbot acabou definindo o padrão e o caminho para todos os que vieram na sequência — inclusive o próprio Google, que, desde 2016, alardeava sua estratégia de ser "AI-first" (priorizando a IA). Em 2022, a Alphabet acionou o "código vermelho".

Mais IA, por favor

Chatbots, modelos, ferramentas... E, para completar, o Google foi inserindo a IA em todos os seus produtos. Precisa buscar e-mails no Gmail? Lá está o Gemini. E no Google Sheets? Com ​​a IA, é possível até criar macros nas planilhas. A "joia da coroa" também não poderia ficar de fora: o buscador foi totalmente impregnado por IA, mais do que qualquer outro produto da empresa.

As respostas geradas por IA no buscador (chamadas de AI Overviews) e o "Modo IA" (AI Mode) foram a solução do Google para um problema que a plataforma arrastava há anos: a má qualidade dos resultados de busca. Muitas vezes, era difícil encontrar algo decente em certas pesquisas; por isso, a IA se encaixa tão bem aqui: ela resolve qualquer dúvida sem que o usuário precise ler mais nada. E isso é um problema, não apenas para nós que vivemos da criação de conteúdo.

O buscador com IA é bom para o usuário, mas não para o Google

Parece uma contradição, mas é exatamente assim: a Alphabet registrou uma queda significativa no crescimento da receita proveniente das buscas (praticamente não houve diferença em relação ao segundo trimestre, que, por sua vez, já tinha sido inferior ao primeiro). Um dos motivos, segundo o próprio Google, é que o "Modo IA" gera menos receita do que a busca tradicional.

O Google criou um buscador "tão bom" que os usuários não precisam ir além da interação com a IA para encontrar a solução. Logo, sobra menos espaço para anúncios, ou os anúncios passam a valer menos. E isso coloca em risco o que, para o Google, era a "galinha dos ovos de ouro".

A solução: adicionar mais anúncios

É o raciocínio lógico. Se você ganha menos porque os anúncios não são vistos, o que deve fazer é aumentar a quantidade deles. Ou, em outras palavras: se passamos de um buscador ineficiente para um mais ou menos preciso graças à IA, o Google agora precisa dar um passo atrás. Como diria Ricky Martin: "Um passinho para frente, Maria...".

Segundo explicou Philipp Schindler, diretor de negócios do Google:

"Vale ressaltar que o forte crescimento das consultas no 'Modo IA' teve um impacto, devido à menor monetização que observamos nesse modo".

E acrescentou:

"Para deixar claro, estamos muito satisfeitos com nossa trajetória. Nossos experimentos com anúncios apresentaram resultados promissores; por isso, estamos expandindo a exibição de anúncios — tanto nas visualizações com IA quanto no 'Modo IA' — para mais usuários e mais consultas. Isso inclui mercados internacionais e anúncios inseridos em conversas de múltiplos turnos, nos Estados Unidos".

O melhor, que acaba sendo o pior

O Google não vai voltar atrás removendo a IA do buscador; portanto, precisa encontrar uma forma de harmonizar os anúncios com os textos gerados pelo Gemini. Não é uma tarefa fácil, pois ver um anúncio entre os resultados de busca é bem diferente de encontrar uma recomendação explícita de produto dentro de um texto que deveria ser imparcial. Para a IA, perder a credibilidade é muito fácil.

O Google não está em apuros; muito pelo contrário: continua crescendo a taxas de dois dígitos. O problema é que cada busca que migra para o Modo IA gera menos receita do que a anterior, e a única alavanca que o Google tem à disposição é a de sempre: mais publicidade. Portanto, corre o risco de terminar onde começou: com um buscador mais voltado para os anunciantes do que para os usuários.

Imagem de capa | Unsplash

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha

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