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“É como uma droga”: os agentes de IA nunca dormem, então os fundadores de startups também não

Os fundadores de startups se tornaram escravos de seus próprios agentes

Agentes de IA
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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2026 foi o ano dos agentes. Tudo começou com o sucesso viral do OpenClaw e, poucos meses depois, as empresas estavam cheias de agentes de IA. Eles não dormem, podem ficar trabalhando durante dias, semanas ou meses sem descanso. Isso, que é sua maior virtude, também tem um lado ruim: aqueles que os supervisionam se tornaram verdadeiros escravos de seus agentes de IA.

Segundo o Wall Street Journal, os fundadores de muitas startups estão com seus ciclos de sono completamente desregulados porque ficam de olho em seus agentes de IA. Aditya Sharma, cofundador da startup Keel, conta que há dias em que vai dormir às 6 da manhã, atendendo às solicitações dos agentes. Esse não é um caso isolado e demonstra uma nova cultura de hiperdisponibilidade alimentada por esses agentes de IA.

Um agente de IA é capaz de executar tarefas e seguir fluxos de trabalho muito complexos, mas não é 100% autônomo. Algumas etapas exigem validação por parte de um humano e, se ninguém intervier, os agentes ficam bloqueados. Sharma afirma que “o custo de os agentes ficarem bloqueados durante oito horas é excessivamente alto”. O resultado é que ele está sempre de olho para ver se algum deles ficou parado esperando sua aprovação.

Viciantes

Vários desses fundadores descrevem a situação em termos que parecem mais relacionados à dependência do que à produtividade. Peter Pezaris, fundador da Proxon, diz que “é como uma droga. Nunca usei drogas, mas imagino que seja assim”. Ele calcula que sua empresa funciona 30 vezes mais rápido graças aos agentes. O resultado é que trabalha das 7h30 da manhã às 2h da madrugada.

Ajay Kalia, fundador da startup Alt, trabalha até 15 horas por dia, mas, quando não está no escritório, também não se desconecta, porque recebe as solicitações de seus agentes diretamente em seu Apple Watch. “Não sei se é saudável para mim sair para correr olhando para o relógio para dar permissão ao meu agente para fazer alguma coisa”, confessa.

“FOMO” é um termo que surgiu com as redes sociais e descreve a sensação constante de que estamos perdendo alguma coisa. Para essas empresas, não é apenas o medo de que um agente fique bloqueado esperando uma resposta: é o medo de que, enquanto eles descansam, um concorrente passe à frente. Peter Pezaris resume assim: “Cada minuto que não trabalho, perco o equivalente a uma semana de trabalho”.

Antes da IA, trabalhar no Vale do Silício era um sonho. Empresas como o Google ofereciam academias, massagistas e todo tipo de comodidades dentro de seus escritórios. A mamata acabou e o boom da IA instaurou uma cultura de alta produtividade em que trabalhar 72 horas por semana é a norma. É uma corrida na qual ninguém quer ser o primeiro a parar, mesmo sabendo que o ritmo não é sustentável. Ajay Kalia vê isso em sua própria rede de contatos: “Todos reconhecem em voz baixa que, por um lado, é insustentável, mas, por outro, por que parar?”.

Imagem | Xataka com Magnific

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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